TJRS Intimação Secretaria da 19ª Câmara Cível

Intimação — 5323679-**.2024.8.21.****

Publicado em

Dados da publicação

Número do processo

5323679-**.2024.8.21.****

Partes

P - F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I*********** | A - I***…

Advogados

P**** E****** S**** R**** (54014/R*) | T****…

Texto da publicação

<html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel N&ordm; 5323679-**.2024.8.21.****/RS</b></section> <section> <div><p><b>TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: </b>Revis&atilde;o de Juros Remunerat&oacute;rios, Capitaliza&ccedil;&atilde;o/Anatocismo</p></div> </section> <section><b><table><tr><td>RELATORA</td><td>: Desembargadora FABIANA ZILLES</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: I*** F***** A****** (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: T**** S*******</td></tr><tr><td>APELADO</td><td>: F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I*********** (R&Eacute;U)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: P**** E****** S**** R**** (OAB RS054014)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>DIREITO CIVIL. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA. A&Ccedil;&Atilde;O REVISIONAL. EMPR&Eacute;STIMO PESSOAL CONSIGNADO. JUROS REMUNERAT&Oacute;RIOS ABUSIVOS. LIMITA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; TAXA M&Eacute;DIA DO BACEN. DESCARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O DA MORA. REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO. SENTEN&Ccedil;A DE IMPROCED&Ecirc;NCIA REFORMADA. </strong></p> <p><strong>RECURSO PROVIDO.</strong></p> <p><strong>I. CASO EM EXAME:</strong></p> <p>1. Apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel interposta contra senten&ccedil;a que julgou improcedentes os pedidos formulados em a&ccedil;&atilde;o revisional de contrato de empr&eacute;stimo pessoal consignado, em que a parte autora sustenta a abusividade dos juros remunerat&oacute;rios pactuados, requerendo sua limita&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo BACEN, a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora e a restitui&ccedil;&atilde;o dos valores pagos a maior.</p> <p><strong>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:</strong></p> <p>2. H&aacute; tr&ecirc;s quest&otilde;es em discuss&atilde;o: (i) a abusividade dos juros remunerat&oacute;rios pactuados em contrato de empr&eacute;stimo pessoal consignado; (ii) a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora em raz&atilde;o da abusividade dos encargos; (iii) o direito &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o simples ou compensa&ccedil;&atilde;o dos valores pagos a maior.</p> <p><strong>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:</strong></p> <p>3. As institui&ccedil;&otilde;es financeiras n&atilde;o se sujeitam &agrave; limita&ccedil;&atilde;o de juros prevista na Lei de Usura, mas a revis&atilde;o das taxas remunerat&oacute;rias &eacute; admitida em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais, quando caracterizada a rela&ccedil;&atilde;o de consumo e demonstrada a abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada, conforme o art. 51, inc. IV e &sect; 1&ordm;, inc. III, do CDC e a orienta&ccedil;&atilde;o firmada pelo STJ no REsp n. 1.061.530/RS.</p> <p>4. A taxa de juros contratada de 5,21% ao m&ecirc;s supera substancialmente a taxa m&eacute;dia de mercado de 1,72% ao m&ecirc;s divulgada pelo BACEN para opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS na data da contrata&ccedil;&atilde;o, sem que a institui&ccedil;&atilde;o financeira tenha demonstrado circunst&acirc;ncias concretas &mdash; como perfil de risco da parte autora, custo de capta&ccedil;&atilde;o dos recursos ou <em>spread</em> banc&aacute;rio &mdash; capazes de justificar a assimetria.</p> <p>5. A abusividade dos juros remunerat&oacute;rios imp&otilde;e a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora da parte apelante, conforme orienta&ccedil;&atilde;o firmada pelo STJ no REsp n. 1.061.530/RS (Tema 28).</p> <p>6. O reconhecimento da abusividade autoriza a compensa&ccedil;&atilde;o dos valores pagos a maior com as parcelas vencidas e, no que sobejar, a repeti&ccedil;&atilde;o do ind&eacute;bito na forma simples, vedado o enriquecimento il&iacute;cito.</p> <p><strong>IV. DISPOSITIVO E TESE:</strong></p> <p>7. Recurso provido em decis&atilde;o monocr&aacute;tica.</p> <p><em>Tese de julgamento:</em> 1. A taxa de juros remunerat&oacute;rios que supera substancialmente a taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo BACEN, sem demonstra&ccedil;&atilde;o de circunst&acirc;ncias concretas que justifiquem a assimetria, configura abusividade e imp&otilde;e sua limita&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia vigente na data da contrata&ccedil;&atilde;o, com descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora e restitui&ccedil;&atilde;o simples do ind&eacute;bito.</p> <p>___________</p> <p><em>Dispositivos relevantes citados:</em> CDC, art. 51, inc. IV e &sect; 1&ordm;, inc. III; CPC/2015, art. 85, &sect; 8&ordm;,&nbsp;art. 932, VIII,&nbsp;art. 206, do Regimento Interno do Tribunal de Justi&ccedil;a (RITJRS).</p> <p><em>Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada:</em> STF: S&uacute;mula 596. STJ: S&uacute;mula 297; 382.&nbsp;REsp n. 1.061.530/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 28). AgRg no REsp n. 886.220/RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, j. 15.03.2011; STJ, AgInt no REsp n. 1.679.635/PR, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, j. 10.08.2020. TJRS:&nbsp;Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5003081-**.2020.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Mylene Maria Michel, Julgado em: 24-06-2022,&nbsp;Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5211294-**.2022.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Marco Antonio Angelo, julgado em: 07-12-2023,&nbsp;Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5230055-**.2022.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Ant&ocirc;nio Maria Rodrigues de Freitas Iserhard, julgado em: 07-12-2023,&nbsp;<em>Apela&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;C&iacute;vel, N&ordm; 5009009-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Sergio Fusquine Goncalves, Julgado em: 25-06-2026.</p></section> <section> <p align="center">DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA</p> </section> <section> <p>Trata-se de <span>apela&ccedil;&atilde;o</span> interposta pela parte autora contra a&nbsp;<span>senten&ccedil;a</span>&nbsp;que julgou improcedentes os pedidos formulados na <span>peti&ccedil;&atilde;o inicial</span>, cujo dispositivo restou assim redigido:</p> <p><span><span>Isso posto, nos termos do artigo 487, inciso I, do C&oacute;digo de Processo Civil, julgo&nbsp;<strong>IMPROCEDENTES</strong>&nbsp;os pedidos formulados por&nbsp;<span>I*** F***** A******</span></span>&nbsp;<span>em desfavor de F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I***********.</span></span></p> <p>Condeno a parte autora ao pagamento das custas processuais e dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios ao patrono da parte r&eacute;, que fixo em&nbsp;10%&nbsp;sobre o valor da causa, considerando a natureza da causa e o trabalho realizado, nos termos do artigo 85, &sect; 2&ordm;, do C&oacute;digo de Processo Civil.&nbsp;Suspendo&nbsp;a&nbsp;exigibilidade&nbsp;das verbas sucumbenciais em raz&atilde;o da gratuidade da justi&ccedil;a concedida.</p> <p>(...).</p> <p>Nas suas raz&otilde;es recursais sustentou a abusividade dos juros remunerat&oacute;rios pactuados, por serem superiores &agrave; taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo BACEN para a opera&ccedil;&atilde;o, requerendo sua limita&ccedil;&atilde;o ao referido par&acirc;metro. Alegou, ainda, o direito &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o simples ou compensa&ccedil;&atilde;o dos valores pagos a maior e &agrave; descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora, em raz&atilde;o da abusividade dos encargos incidentes no per&iacute;odo da normalidade contratual. Ao final, requereu o provimento do recurso para reformar integralmente a senten&ccedil;a, julgar procedente a a&ccedil;&atilde;o revisional e redimensionar os &ocirc;nus sucumbenciais, com a condena&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o financeira ao pagamento das custas e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios.</p> <p>Sobrevieram <span>contrarraz&otilde;es</span>.</p> <p>Os autos vieram conclusos.</p> <p><strong>&Eacute; o sucinto relat&oacute;rio</strong>.</p> <p><strong>Decido.&nbsp;</strong></p> <p>O presente recurso comporta conhecimento, pois&nbsp;presentes os pressupostos de admissibilidade.&nbsp;</p> <p>Conforme disp&otilde;e o art. 932, VIII do CPC, al&eacute;m&nbsp;daquelas&nbsp;contidas na legisla&ccedil;&atilde;o processual,&nbsp;<em>"incumbe ao relator&nbsp;exercer outras atribui&ccedil;&otilde;es estabelecidas no regimento interno do tribunal".</em></p> <p>Ainda, o&nbsp;art. 206, do Regimento Interno do Tribunal de Justi&ccedil;a (RITJRS), estabelece que compete ao relator&nbsp;<em>"[...]&nbsp;negar ou dar provimento ao recurso quando houver jurisprud&ecirc;ncia dominante acerca do tema no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justi&ccedil;a com rela&ccedil;&atilde;o, respectivamente, &agrave;s mat&eacute;rias constitucional e infraconstitucional e&nbsp;<u>deste Tribunal</u>".&nbsp;(grifei)</em></p> <p>Diante desse contexto, vislumbro que o presente recurso se enquadra na hip&oacute;tese de julgamento monocr&aacute;tico, porquanto as mat&eacute;rias referentes &agrave; (im)possibilidade&nbsp;de limita&ccedil;&atilde;o dos juros remunerat&oacute;rios em contrato de empr&eacute;stimo pessoal consignado &agrave; taxa m&eacute;dia do BACEN e &agrave; (im)possibilidade de repeti&ccedil;&atilde;o de ind&eacute;bito e (des)caracteriza&ccedil;&atilde;o da mora est&atilde;o pacificadas nesta Colenda C&acirc;mara C&iacute;vel.</p> <p><strong>I - <u>Dos juros remunerat&oacute;rios</u>.</strong></p> <p>A S&uacute;mula 596 do STF&nbsp;disp&otilde;e que&nbsp;<em>"as disposi&ccedil;&otilde;es do Decreto 22.626 de 1933 n&atilde;o se aplicam as taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas opera&ccedil;&otilde;es realizadas por institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou privadas, que integram o Sistema Financeiro Nacional".</em></p> <p>No mesmo sentido foi o entendimento adotado pelo&nbsp;Superior Tribunal de Justi&ccedil;a no julgamento do&nbsp;AgRg no REsp n. 886.220/RS, ao dispor que as&nbsp;institui&ccedil;&otilde;es financeiras n&atilde;o se sujeitam &agrave; limita&ccedil;&atilde;o dos juros remunerat&oacute;rios estipulada na Lei de Usura (Decreto n. 22.626).&nbsp;</p> <p>Contudo, a mesma decis&atilde;o disp&otilde;e que, em que pese a&nbsp;estipula&ccedil;&atilde;o de juros remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano, por si s&oacute;, n&atilde;o indique&nbsp;abusividade apta a possibilitar a revis&atilde;o das taxas contratadas (conforme S&uacute;mula 382 do STJ<span>1</span>),&nbsp;esta &eacute; admitida em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais, desde que caracterizada a rela&ccedil;&atilde;o de consumo e que a abusividade esteja&nbsp;cabalmente demonstrada, no caso concreto.</p> <p>Ilustro:&nbsp;</p> <p>AGRAVOS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANC&Aacute;RIO. CAPITALIZA&Ccedil;&Atilde;O MENSAL E MULTA MORAT&Oacute;RIA. AUS&Ecirc;NCIA DE INTERESSE. JUROS REMUNERAT&Oacute;RIOS. N&Atilde;O-LIMITA&Ccedil;&Atilde;O. COMISS&Atilde;O DE PERMAN&Ecirc;NCIA. COBRAN&Ccedil;A. POSSIBILIDADE. JUROS MORAT&Oacute;RIOS. LIMITA&Ccedil;&Atilde;O EM 1% AO M&Ecirc;S. 'MORA DEBENDI'. DESCARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O. ENCARGO DA NORMALIDADE COBRADO EM EXCESSO. 1. Diante da aus&ecirc;ncia de qualquer proveito, no que toca &agrave;s alega&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; capitaliza&ccedil;&atilde;o mensal e &agrave; multa morat&oacute;ria, &eacute; de ser negado conhecimento &agrave; pretens&atilde;o em tais pontos, porquanto ausente o necess&aacute;rio interesse recursal, em virtude de mostrar-se in&uacute;til a irresigna&ccedil;&atilde;o. <strong>2. As institui&ccedil;&otilde;es financeiras n&atilde;o se sujeitam &agrave; limita&ccedil;&atilde;o estipulada na Lei de Usura (S&uacute;mula 596/STF), sendo certo que, na esteira dos precedentes desta Corte, a estipula&ccedil;&atilde;o de juros remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano, por si s&oacute;, n&atilde;o indica abusividade apta a possibilitar a revis&atilde;o das taxas contratadas, a qual s&oacute; se admite em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais, desde que caracterizada a rela&ccedil;&atilde;o de consumo e que a abusividade fique cabalmente demonstrada, no caso concreto.</strong> 3. Admite-se a cobran&ccedil;a da comiss&atilde;o de perman&ecirc;ncia no per&iacute;odo da inadimpl&ecirc;ncia, desde que n&atilde;o cumulada com corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria, juros morat&oacute;rios, multa contratual ou juros remunerat&oacute;rios, calculada &agrave;&nbsp;<strong>taxa</strong>&nbsp;m&eacute;dia de mercado, limitada, contudo, &agrave;&nbsp;<strong>taxa</strong>&nbsp;contratada. 4. Nos termos da S&uacute;mula 379/STJ: "Nos contratos banc&aacute;rios n&atilde;o regidos por legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, os juros morat&oacute;rios poder&atilde;o ser convencionados at&eacute; o limite de 1% ao m&ecirc;s". 5. "Segundo a jurisprud&ecirc;ncia pac&iacute;fica desta Corte, a constata&ccedil;&atilde;o de exig&ecirc;ncia de encargos abusivos no contrato, durante o per&iacute;odo da normalidade contratual, afasta a configura&ccedil;&atilde;o da mora. Posicionamento reiterado no mesmo REsp 1.061.520/RS." (EREsp 785720/RS, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOM&Atilde;O, SEGUNDA SE&Ccedil;&Atilde;O, julgado em 26/05/2010, DJe 11/06/2010). 6. AGRAVOS REGIMENTAIS N&Atilde;O PROVIDOS. (AgRg no REsp n. 886.220/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 15/3/2011, DJe de 24/3/2011) (grifei)</p> <p>Outrossim,&nbsp;a quest&atilde;o foi igualmente pacificada pelo STJ, quando do julgamento do Recurso Especial&nbsp;n. 1.061.530/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi,&nbsp; julgado sob o rito dos&nbsp;recursos repetitivos, que gerou a orienta&ccedil;&atilde;o n. 1,&nbsp;nos seguintes termos:</p> <p><em>ORIENTA&Ccedil;&Atilde;O 1 - JUROS REMUNERAT&Oacute;RIOS a) As institui&ccedil;&otilde;es financeiras n&atilde;o se sujeitam &agrave; limita&ccedil;&atilde;o dos juros remunerat&oacute;rios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), S&uacute;mula 596/STF;&nbsp;<strong>b) A estipula&ccedil;&atilde;o de juros remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano, por si s&oacute;, n&atilde;o indica abusividade</strong>; c) S&atilde;o inaplic&aacute;veis aos juros remunerat&oacute;rios dos contratos de m&uacute;tuo banc&aacute;rio as disposi&ccedil;&otilde;es do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02;&nbsp;<strong>d) &Eacute; admitida a revis&atilde;o das taxas de juros remunerat&oacute;rios em situa&ccedil;&otilde;es excepcionais, desde que caracterizada a rela&ccedil;&atilde;o de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada ? art. 51, &sect;1&ordm;, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante &agrave;s peculiaridades do julgamento em concreto.</strong></em></p> <p>Al&eacute;m disso, no caso ora em quest&atilde;o, &eacute;&nbsp;inconteste a rela&ccedil;&atilde;o de consumo existente entre as partes.</p> <p>Destaco que, nos termos da S&uacute;mula 297 do STJ&nbsp;<em>"o&nbsp;C&oacute;digo de Defesa do Consumidor &eacute; aplic&aacute;vel &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es financeiras".</em></p> <p>No caso concreto,&nbsp;verifica-se que o contrato de empr&eacute;stimo pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS que motiva a propositura da demanda prev&ecirc; a aplica&ccedil;&atilde;o de&nbsp;juros&nbsp;de 5,21%&nbsp;ao m&ecirc;s (<span>evento 43, CONTR4</span>), embora a T<em>axa m&eacute;dia mensal de juros das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito com recursos livres - Pessoas f&iacute;sicas - Cr&eacute;dito pessoal consignado para aposentados e pensionistas do INSS</em> - S&eacute;ries 25468 e 20746 - fosse, &agrave; &eacute;poca da entrada do cr&eacute;dito (28/11/2019), de 1,72% ao m&ecirc;s. Ilustro:</p> <p></p> <p></p> <p>Logo, as taxas de juros, previstas contratualmente extrapolam substancialmente as taxas m&eacute;dias do BACEN, o que configura abusividade, colocando a consumidora em desvantagem excessiva e contrariando o disposto no art. 51, inciso IV e &sect;1&ordm;, inciso III do CDC. Veja-se:</p> <p>Art. 51.&nbsp;S&atilde;o nulas de pleno direito, entre outras, as cl&aacute;usulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servi&ccedil;os que:</p> <p>(...)</p> <p><strong>IV - estabele&ccedil;am obriga&ccedil;&otilde;es consideradas in&iacute;quas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompat&iacute;veis com a boa-f&eacute; ou a eq&uuml;idade;</strong></p> <p>(...)</p> <p>&sect; 1&ordm; Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:&nbsp;</p> <p>(...)</p> <p>&nbsp;III - <strong>se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conte&uacute;do do contrato, o interesse das partes e outras circunst&acirc;ncias peculiares ao caso.</strong></p> <p>Ademais, o&nbsp;<span>&aacute;udio</span> anexado n&atilde;o demonstrou, de forma suficiente, as condi&ccedil;&otilde;es em que a parte autora estava pactuando a contrata&ccedil;&atilde;o, tampouco mencionou as taxas de juros aplicadas ou o valor que seria pago ao final do contrato. Assim, considerando que a parte autora, na condi&ccedil;&atilde;o de consumidora &eacute; hipossuficiente, n&atilde;o det&eacute;m conhecimento t&eacute;cnico espec&iacute;fico sobre a mat&eacute;ria, n&atilde;o se poderia presumir que tivesse plena ci&ecirc;ncia dos encargos incidentes ou do montante total que estaria pagando &agrave; &eacute;poca da contrata&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Destaco, ainda, que o valor do empr&eacute;stimo,&nbsp;o prazo para pagamento das presta&ccedil;&otilde;es ajustadas,&nbsp;assim como a forma de pagamento da opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o justificam&nbsp;que a institui&ccedil;&atilde;o financeira&nbsp;extrapole de forma t&atilde;o elevada&nbsp;a&nbsp;taxa&nbsp;m&eacute;dia do&nbsp;BACEN.&nbsp;</p> <p>Outrossim, n&atilde;o veio aos autos elementos concretos a respeito do perfil de risco da parte autora que pudessem justificar a&nbsp;taxa&nbsp;remunerat&oacute;ria originariamente fixada, como, por exemplo, sua inscri&ccedil;&atilde;o em &oacute;rg&atilde;os de restri&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito &agrave; &eacute;poca ou qualquer outro elemento capaz de demonstrar risco de inadimpl&ecirc;ncia, presumindo-se que, para a concess&atilde;o do empr&eacute;stimo, foi suficiente apenas a an&aacute;lise da renda recebida.&nbsp;</p> <p>Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; nos autos&nbsp;informa&ccedil;&otilde;es efetivas a respeito do custo da capta&ccedil;&atilde;o dos recursos, n&atilde;o esclarecendo a institui&ccedil;&atilde;o financeira nem aonde obteve seus recursos, nem o seu pre&ccedil;o.&nbsp;</p> <p>Tampouco restou definido o&nbsp;<em>spread&nbsp;</em>banc&aacute;rio, ante a impossibilidade de se comparar no caso concreto o custo da capta&ccedil;&atilde;o dos recursos e os juros remunerat&oacute;rios concedidos.</p> <p>Assim, verifica-se no caso&nbsp;<em>sub judice</em>&nbsp;que est&aacute;&nbsp;caracterizada&nbsp;a abusividade do contrato&nbsp;ante a manifesta despropor&ccedil;&atilde;o das taxas de juros fixadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s taxas m&eacute;dias de mercado, sem a demonstra&ccedil;&atilde;o de circunst&acirc;ncias concretas capazes de justificar a referida assimetria.</p> <p>Cab&iacute;vel, portanto, a limita&ccedil;&atilde;o das&nbsp;taxas de juros &agrave;&nbsp;media&nbsp;do&nbsp;BACEN&nbsp;para as respectivas opera&ccedil;&otilde;es&nbsp;banc&aacute;rias.</p> <p>Nesse sentido &eacute; o entendimento adotado pela presente C&acirc;mara C&iacute;vel:&nbsp;</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. PEDIDO DE&nbsp;<em>TUTELA</em>&nbsp;<em>CAUTELAR</em>&nbsp;<em>ANTECEDENTE</em>&nbsp;E A&Ccedil;&Atilde;O&nbsp;<strong>REVISIONAL</strong>. JULGAMENTO CONJUNTO. SENTEN&Ccedil;A DE PROCED&Ecirc;NCIA. RECURSO ADSTRITO &Agrave; READEQUA&Ccedil;&Atilde;O DOS CONTRATOS BANC&Aacute;RIOS.&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. ABUSIVIDADE CONSTATADA NO QUE TANGE AO EMPR&Eacute;STIMO CUJOS&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;EST&Atilde;O ENUNCIADOS NO INSTRUMENTO CONTRATUAL.<strong>&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;APLICADA QUE EXTRAPOLA SUBSTANCIALMENTE A M&Eacute;DIA MERCADOL&Oacute;GICA. READEQUA&Ccedil;&Atilde;O AO PAR&Acirc;METRO DE LEGALIDADE. TOCANTE &Agrave; CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O QUE N&Atilde;O DISP&Otilde;E EXPRESSAMENTE SOBRE A&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;DE&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS, ADOTA-SE O DISPOSTO NA S&Uacute;MULA N.&ordm; 350 DO C. STJ: "NOS CONTRATOS BANC&Aacute;RIOS, NA IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAR A&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;DE&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;EFETIVAMENTE CONTRATADA - POR AUS&Ecirc;NCIA DE PACTUA&Ccedil;&Atilde;O OU PELA FALTA DE JUNTADA DO INSTRUMENTO AOS AUTOS -, APLICA-SE A&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;M&Eacute;DIA DE MERCADO, DIVULGADA PELO&nbsp;<strong>BACEN</strong>, PRATICADA NAS OPERA&Ccedil;&Otilde;ES DA MESMA ESP&Eacute;CIE, SALVO SE A&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;COBRADA FOR MAIS VANTAJOSA PARA O DEVEDOR.".</strong>&nbsp;DESCARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O DA MORA. COROL&Aacute;RIO L&Oacute;GICO DO JULGADO QUE RECONHECE A ABUSIVIDADE DE ENCARGO QUE IMPEDE A NORMAL EXECU&Ccedil;&Atilde;O CONTRATUAL. COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O E/OU REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO. CONSIDERANDO A REVIS&Atilde;O PARCIAL DA AVEN&Ccedil;A, CAB&Iacute;VEL A REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE VALORES NA FORMA SIMPLES, EM CONSON&Acirc;NCIA COM O ENTENDIMENTO DO C. STJ. RECURSO DE APELA&Ccedil;&Atilde;O DESPROVIDO.(Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5003081-**.2020.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Mylene Maria Michel, Julgado em: 24-06-2022) (grifei)</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS.&nbsp;REVISIONAL&nbsp;BANC&Aacute;RIA.&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. Recurso Especial Repetitivo n. 1.061.530/RS. As institui&ccedil;&otilde;es financeiras n&atilde;o se sujeitam &agrave; limita&ccedil;&atilde;o dos&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), S&uacute;mula 596/STF. A estipula&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano, por si s&oacute;, n&atilde;o indica&nbsp;<em>abusividade</em>. S&atilde;o inaplic&aacute;veis aos&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios dos contratos de m&uacute;tuo banc&aacute;rio as disposi&ccedil;&otilde;es do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02. Outrossim, verificada a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o de consumo e demonstrada a&nbsp;<em>abusividade</em>&nbsp;capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada diante das circunst&acirc;ncias do caso concreto, admite-se a revis&atilde;o da&nbsp;<em>taxa</em>&nbsp;de&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios.&nbsp;<strong>No caso concreto, analisadas as peculiaridades e verificado o car&aacute;ter abusivo, mediante a coloca&ccedil;&atilde;o do consumidor em desvantagem exagerada, os&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios devem ser limitados &agrave;&nbsp;<em>taxa</em>&nbsp;m&eacute;dia do mercado divulgada pelo&nbsp;<strong>BACEN</strong>.</strong>&nbsp;HONOR&Aacute;RIOS ADVOCAT&Iacute;CIOS. Os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios devem ser fixados entre 10% e 20% sobre o valor da condena&ccedil;&atilde;o, do proveito econ&ocirc;mico obtido ou, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel mensur&aacute;-lo, sobre o valor atualizado da causa, observados o grau de zelo do profissional, o lugar de presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, a natureza e a import&acirc;ncia da causa e o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi&ccedil;o (art. 85, &sect; 2&ordm;, do CPC). A fixa&ccedil;&atilde;o deve ser realizada de forma sucessiva - Primeiro, sobre o valor da condena&ccedil;&atilde;o; Segundo, sobre o proveito econ&ocirc;mico obtido; Terceiro, sobre valor atualizado da causa. Na hip&oacute;tese dos autos, deve-se utilizar o valor da causa como par&acirc;metro para a fixa&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios. APELA&Ccedil;&Atilde;O DA AUTORA PROVIDA. APELA&Ccedil;&Atilde;O DA R&Eacute; DESPROVIDA. (Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5211294-**.2022.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Marco Antonio Angelo, julgado em: 07-12-2023) (grifei)</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O&nbsp;REVISIONAL. CONTRATOS BANC&Aacute;RIOS.&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O. REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO. &Ocirc;NUS SUCUMBENCIAL. PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O. CONTRATOS BANC&Aacute;RIOS. O PRAZO DA PRESCRI&Ccedil;&Atilde;O DA PRETENS&Atilde;O&nbsp;REVISIONAL&nbsp;&Eacute; O DECENAL PREVISTO NO ARTIGO 205 DO C&Oacute;DIGO CIVIL. SENTEN&Ccedil;A REFORMADA. CAUSA MADURA. ENFRENTAMENTO DO M&Eacute;RITO EM SEDE RECURSAL. ARTIGO 1.013, PAR&Aacute;GRAFO 4&ordm;, DO C&Oacute;DIGO DE PROCESSO CIVIL.&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. DEVIDOS CONFORME CONTRATADOS, QUANDO ADEQUADOS &Agrave;&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;M&Eacute;DIA DE MERCADO APURADA PELO&nbsp;BACEN. QUANDO PACTUADOS EM PERCENTUAL ELEVADO E N&Atilde;O RESTAR COMPROVADO NOS AUTOS NENHUMA PECULIARIDADE NA RELA&Ccedil;&Atilde;O CONTRATUAL A ENSEJAR A INCID&Ecirc;NCIA DE&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;EM PATAMAR SUPERIOR &Agrave;&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;M&Eacute;DIA DE MERCADO, DEVEM SER COM BASE NELA LIMITADOS. NO CASO CONCRETO, OS&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS DOS CONTRATOS SUPERAM EXCESSIVAMENTE A&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;M&Eacute;DIA DE MERCADO DIVULGADA PELO BANCO CENTRAL. O PAGAMENTO DAS PARCELAS DO EMPR&Eacute;STIMO &Eacute; MEDIANTE DESCONTOS EM FOLHA DE PAGAMENTO, QUE SERVE COMO UMA GARANTIA CONTRATUAL EM RAZ&Atilde;O DO BAIXO RISCO DE INADIMPLEMENTO. AINDA, N&Atilde;O RESTOU DEMONSTRADO NOS AUTOS PECULIARIDADE NOS CONTRATOS A JUSTIFICAR A COBRAN&Ccedil;A DE&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;EM PATAMAR T&Atilde;O EXCESSIVO.&nbsp;<strong>COMPROVADA A&nbsp;<em>ABUSIVIDADE</em>&nbsp;NA&nbsp;<em>TAXA</em>&nbsp;DE&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;CONTRATUAL, CAB&Iacute;VEL A LIMITA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; M&Eacute;DIA DE MERCADO PARA O TIPO DE OPERA&Ccedil;&Atilde;O. COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O.</strong>&nbsp;REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO. A REPETI&Ccedil;&Atilde;O DOS VALORES PAGOS A MAIOR &Eacute; CONCLUS&Atilde;O L&Oacute;GICA DA REVIS&Atilde;O DOS CONTRATOS BANC&Aacute;RIOS, SE CONSTATADO FOR QUE HOUVE DIFEREN&Ccedil;A. E TAIS VALORES DEVER&Atilde;O SER DEVOLVIDOS NA FORMA SIMPLES, PERMITIDA A COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE OS CR&Eacute;DITOS DE CADA PARTE. &Ocirc;NUS SUCUMBENCIAL INVERTIDO. HONOR&Aacute;RIOS SUCUMBENCIAIS FIXADOS SOBRE O PROVEITO ECON&Ocirc;MICO. APELA&Ccedil;&Atilde;O PROVIDA. A&Ccedil;&Atilde;O JULGADA PROCEDENTE. (Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel n. 5230055-**.2022.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Ant&ocirc;nio Maria Rodrigues de Freitas Iserhard, julgado em: 07-12-2023) (grifei)</p> <p><strong>II - <u>Da descaracteriza&ccedil;&atilde;o da mora e restitui&ccedil;&atilde;o de valores</u>.</strong></p> <p>Face &agrave; revis&atilde;o dos termos da aven&ccedil;a, o entendimento pac&iacute;fico do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a &eacute; no sentido de descaracterizar a&nbsp;mora&nbsp;e admitir tanto a compensa&ccedil;&atilde;o (que deve se dar apenas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s parcelas vencidas) quanto a devolu&ccedil;&atilde;o simples da quantia paga indevidamente (a apelante pede a repeti&ccedil;&atilde;o dos valores pagos a maior no decorrer da contrata&ccedil;&atilde;o, ou a compensa&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito apurado com eventual d&eacute;bito ainda existente"). Veja-se:</p> <p>PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. A&Ccedil;&Atilde;O REVISIONAL. CONTRATO BANC&Aacute;RIO. JUNTADA. AUS&Ecirc;NCIA. REEXAME DO CONJUNTO F&Aacute;TICO-PROBAT&Oacute;RIO DOS AUTOS. S&Uacute;MULA N. 7 DO STJ. CAPITALIZA&Ccedil;&Atilde;O ANUAL DE&nbsp;JUROS. PACTUA&Ccedil;&Atilde;O EXPRESSA. S&Uacute;MULA N. 83 DO STJ.&nbsp;JUROS&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. CORRE&Ccedil;&Atilde;O MONET&Aacute;RIA. TARIFAS BANC&Aacute;RIAS. DISPOSITIVOS LEGAIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. S&Uacute;MULAS N. 282 E 356 DO STF.&nbsp;JUROS&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS. LIMITA&Ccedil;&Atilde;O. TAXA M&Eacute;DIA. S&Uacute;MULAS N. 83 E 530 DO STJ. COMISS&Atilde;O DE PERMAN&Ecirc;NCIA. COBRAN&Ccedil;A ISOLADA. S&Uacute;MULA N. 83 DO STJ. COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O E REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO. FORMA&nbsp;SIMPLES. S&Uacute;MULAS N. 83 E 322 DO STJ. DECIS&Atilde;O MANTIDA. HONOR&Aacute;RIOS RECURSAIS. AC&Oacute;RD&Atilde;O RECORRIDO PUBLICADO NA VIG&Ecirc;NCIA DO CPC/1973. DESCABIMENTO. (...) <strong>6. A proced&ecirc;ncia dos pedidos formulados em a&ccedil;&atilde;o revisional de contrato banc&aacute;rio possibilita tanto a compensa&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos quanto a&nbsp;devolu&ccedil;&atilde;o&nbsp;da quantia paga indevidamente, em obedi&ecirc;ncia ao princ&iacute;pio que veda o enriquecimento il&iacute;cito. Incid&ecirc;ncia das S&uacute;mulas n. 83 e 322 do STJ.</strong> (...) 8. Agravo interno a que se nega provimento.&nbsp;(AgInt no REsp n. 1.679.635/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 10/8/2020, DJe de 14/8/2020.) (grifei)</p> <p>Esse &eacute; tamb&eacute;m o entendimento adotado pela presente C&acirc;mara, conforme ilustro:&nbsp;</p> <p>DIREITO CIVIL. AGRAVO INTERNO. A&Ccedil;&Atilde;O REVISIONAL DE CONTRATO BANC&Aacute;RIO.&nbsp;<em>JUROS</em>&nbsp;REMUNERAT&Oacute;RIOS ABUSIVOS. LIMITA&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; TAXA M&Eacute;DIA DE MERCADO. DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME:1. Agravo interno interposto por institui&ccedil;&atilde;o financeira contra decis&atilde;o monocr&aacute;tica que deu provimento &agrave;&nbsp;<em>apela&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;da parte autora para reconhecer a&nbsp;<em>abusividade</em>&nbsp;dos&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios pactuados em contrato de empr&eacute;stimo pessoal n&atilde;o&nbsp;<strong>consignado</strong>&nbsp;e limit&aacute;-los &agrave; taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:1. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste em saber se a taxa de&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios pactuada em contrato de empr&eacute;stimo pessoal n&atilde;o&nbsp;<strong>consignado</strong>, fixada em 22,99% ao m&ecirc;s, &eacute; abusiva em compara&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia de mercado de 6,81% ao m&ecirc;s divulgada pelo Banco Central do Brasil. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:1. A estipula&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano n&atilde;o indica, por si s&oacute;,&nbsp;<em>abusividade</em>, conforme a S&uacute;mula 382 do STJ, sendo admitida a&nbsp;<em>revis&atilde;o</em>&nbsp;apenas em car&aacute;ter excepcional, quando caracterizada a rela&ccedil;&atilde;o de consumo e demonstrada a abusividade.2. A taxa contratada supera em mais de tr&ecirc;s vezes a taxa m&eacute;dia de mercado para o per&iacute;odo, sem justificativa plaus&iacute;vel, configurando desvantagem exagerada ao consumidor e violando o art. 51, &sect; 1&ordm;, inc. III, do CDC.3. As alega&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas sobre risco de cr&eacute;dito n&atilde;o justificam a cobran&ccedil;a exorbitante, pois o risco da atividade econ&ocirc;mica &eacute; inerente ao servi&ccedil;o prestado pela institui&ccedil;&atilde;o financeira.<strong>4. O reconhecimento da&nbsp;<em>abusividade</em>&nbsp;dos&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;no per&iacute;odo de normalidade&nbsp;<em>contratual</em>&nbsp;imp&otilde;e a limita&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia do Banco Central, a restitui&ccedil;&atilde;o simples do ind&eacute;bito e a&nbsp;<em>descaracteriza&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;da&nbsp;<em>mora</em>, conforme orienta&ccedil;&atilde;o firmada pelo STJ no REsp 1.061.530/RS.</strong>5. A compensa&ccedil;&atilde;o dos valores a restituir, nos termos do art. 369 do CC, somente &eacute; poss&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s parcelas vencidas e pagas, sendo invi&aacute;vel sua incid&ecirc;ncia sobre parcelas vincendas, por aus&ecirc;ncia de liquidez e exigibilidade. IV. DISPOSITIVO E TESE:1. Recurso desprovido. Decis&atilde;o monocr&aacute;tica mantida.Tese de julgamento: 1. A taxa de&nbsp;<em>juros</em>&nbsp;remunerat&oacute;rios que supera substancialmente a taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, sem justificativa concreta, configura&nbsp;<em>abusividade</em>&nbsp;e imp&otilde;e sua limita&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia vigente na data da contrata&ccedil;&atilde;o, com restitui&ccedil;&atilde;o simples do ind&eacute;bito e&nbsp;<em>descaracteriza&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;da&nbsp;<em>mora</em>. ___________Dispositivos relevantes citados: CDC, art. 51, &sect; 1&ordm;, inc. III.Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ, AgInt no AREsp 2.367.945/SP, Rel. Min. Ricardo Villas B&ocirc;as Cueva, j. 13.05.2024.(<em>Apela&ccedil;&atilde;o</em>&nbsp;C&iacute;vel, N&ordm; 5009009-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima Nona C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Sergio Fusquine Goncalves, Julgado em: 25-06-2026)</p> <p>Portanto, impositiva a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da&nbsp;mora&nbsp;face &agrave; cobran&ccedil;a de encargos abusivos no per&iacute;odo da normalidade (conforme tese firmada no REsp&nbsp;n&ordm; 1.061.530/RS - Tema 28), bem como, no que pertine aos valores pagos a maior, determinar a compensa&ccedil;&atilde;o (com parcelas vencidas) e - no que&nbsp;sobejar &agrave; compensa&ccedil;&atilde;o - a repeti&ccedil;&atilde;o do ind&eacute;bito na forma simples.&nbsp;O valor dever&aacute; ser corrigido pelo IPCA desde o efetivo desembolso, com a incid&ecirc;ncia da Taxa Selic como crit&eacute;rio &uacute;nico de&nbsp;juros&nbsp;e corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria a partir da cita&ccedil;&atilde;o.</p> <p><strong>III - <u>Dispositivo</u>.</strong></p> <p><strong>Ante o exposto</strong>, em decis&atilde;o monocr&aacute;tica, DOU PROVIMENTO ao recurso para:</p> <p>a) reconhecer a abusividade da&nbsp;taxa de juros&nbsp;remunerat&oacute;rios pactuada no contrato de empr&eacute;stimo pessoal objeto da a&ccedil;&atilde;o, determinando sua limita&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa m&eacute;dia de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil para opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito pessoal consignado no per&iacute;odo da contrata&ccedil;&atilde;o (novembro de 2019) e</p> <p>b)&nbsp;descaracterizar a&nbsp;mora&nbsp;da parte apelante, condenando a apelada &agrave; restitui&ccedil;&atilde;o simples de eventuais valores pagos em excesso, com o abatimento do&nbsp;valor das parcelas vencidas.&nbsp;</p> <p>Por fim, diante do resultado do julgamento, redimensiono os &ocirc;nus sucumbenciais, com a condena&ccedil;&atilde;o da parte r&eacute; ao pagamento de honor&aacute;rios advocat&iacute;cios ao patrono da parte autora, os quais fixo em R$ 1.000,00 (um mil reais), tendo em vista o valor irris&oacute;rio do proveito econ&ocirc;mico, o valor da causa n&atilde;o condizer com o pleito, nos termos do artigo 85, &sect; 8&ordm; do CPC, que&nbsp;dever&aacute; ser atualizada pelo IPCA desde o arbitramento, bem como acrescido de juros de mora pela Taxa Selic, a partir do tr&acirc;nsito em julgado, deduzido o IPCA que engloba tal &iacute;ndice, na forma dos artigos 389, p. &uacute;.&nbsp;e 406, &sect; 1&ordm;, do CC.</p> <p>Intimem-se e, com o tr&acirc;nsito em julgado, d&ecirc;-se baixa.</p></section> <section> </section> <section> <p>&nbsp;</p> <hr> <div>1. A estipula&ccedil;&atilde;o de juros remunerat&oacute;rios superiores a 12% ao ano, por si s&oacute;, n&atilde;o indica abusividade.</div> <p>&nbsp;</p></section> <footer> </footer></article></body></html>

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