TJRS Intimação Secretaria da 20ª Câmara Cível

Intimação — 5287788-**.2025.8.21.****

Publicado em

Dados da publicação

Número do processo

5287788-**.2025.8.21.****

Partes

A - C**** S***** M**** F****** | P - F**** F********* S*.A*. C******,…

Advogados

G****** G********* M****** (110602/R*) | A****…

Texto da publicação

<html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel N&ordm; 5287788-**.2025.8.21.****/RS</b></section> <section> <div><p><b>TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: </b>Banc&aacute;rios</p></div> </section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador GLENIO JOSE WASSERSTEIN HEKMAN</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: C**** S***** M**** F****** (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: G****** G********* M****** (OAB RS110602)</td></tr><tr><td>APELADO</td><td>: F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I*********** (R&Eacute;U)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: N******* S***** B****** D***** (OAB SP393850)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: A**** P******** C***** (OAB SP261263)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>DIREITO CIVIL. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE NULIDADE DE SEGURO PRESTAMISTA. VENDA CASADA. N&Atilde;O CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O. SENTEN&Ccedil;A DE IMPROCED&Ecirc;NCIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.</strong></p> <p><strong>I. CASO EM EXAME:</strong> 1. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL INTERPOSTA CONTRA SENTEN&Ccedil;A QUE JULGOU IMPROCEDENTE A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE NULIDADE DE SEGURO PRESTAMISTA VINCULADO A CONTRATO DE CR&Eacute;DITO BANC&Aacute;RIO, EM QUE A PARTE AUTORA ALEGOU A OCORR&Ecirc;NCIA DE VENDA CASADA E PLEITEOU A RESTITUI&Ccedil;&Atilde;O DOS VALORES PAGOS.</p> <p><strong>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:</strong> 1. A QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O CONSISTE EM SABER SE A CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DO SEGURO PRESTAMISTA FOI IMPOSTA COMO CONDI&Ccedil;&Atilde;O PARA A OBTEN&Ccedil;&Atilde;O DO CR&Eacute;DITO, CONFIGURANDO VENDA CASADA.</p> <p><strong>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:</strong> 1. A RELA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE AS PARTES &Eacute; DE CONSUMO, SUJEITANDO-SE AO CDC, COM RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA NOS TERMOS DO ART. 14 DO CDC. 2. A PR&Aacute;TICA DE VENDA CASADA &Eacute; VEDADA PELO ART. 39, I, DO CDC, QUE PRO&Iacute;BE CONDICIONAR A CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DE UM PRODUTO OU SERVI&Ccedil;O &Agrave; AQUISI&Ccedil;&Atilde;O DE OUTRO, PRESERVANDO A LIBERDADE DE ESCOLHA DO CONSUMIDOR. 3. O STJ, NO TEMA 972, FIRMOU QUE O CONSUMIDOR N&Atilde;O PODE SER COMPELIDO A CONTRATAR SEGURO DIRETAMENTE COM A INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA OU COM SEGURADORA POR ELA INDICADA 4. O INSTRUMENTO CONTRATUAL DEMONSTRA QUE A ADES&Atilde;O AO SEGURO ERA FACULTATIVA, COM CL&Aacute;USULA ESPEC&Iacute;FICA E CAMPO PR&Oacute;PRIO PARA MANIFESTA&Ccedil;&Atilde;O DE VONTADE, AFASTANDO A ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO OU DE IMPOSI&Ccedil;&Atilde;O. A MERA COINCID&Ecirc;NCIA TEMPORAL ENTRE AS CONTRATA&Ccedil;&Otilde;ES N&Atilde;O PRESUME VENDA CASADA. 5. A AUS&Ecirc;NCIA DE PROVA DE QUE O SEGURO FOI EXIGIDO COMO CONDI&Ccedil;&Atilde;O PARA A CONCESS&Atilde;O DO CR&Eacute;DITO IMPEDE O RECONHECIMENTO DA VENDA CASADA E, POR CONSEQU&Ecirc;NCIA, A RESTITUI&Ccedil;&Atilde;O DOS VALORES PAGOS.</p> <p><strong>IV. DISPOSITIVO E TESE:</strong> 1. RECURSO DESPROVIDO. SENTEN&Ccedil;A DE IMPROCED&Ecirc;NCIA MANTIDA. <em>TESE DE JULGAMENTO:</em> 1. N&Atilde;O CONFIGURA VENDA CASADA A CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DE SEGURO PRESTAMISTA QUANDO O INSTRUMENTO CONTRATUAL PREV&Ecirc; CL&Aacute;USULA EXPRESSA DE FACULTATIVIDADE E CAMPO PR&Oacute;PRIO PARA MANIFESTA&Ccedil;&Atilde;O DE VONTADE, AUSENTE PROVA DE QUE O SEGURO FOI IMPOSTO COMO CONDI&Ccedil;&Atilde;O PARA A OBTEN&Ccedil;&Atilde;O DO CR&Eacute;DITO.</p> <p>___________ <em>DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS:</em> CDC, ARTS. 2&ordm;, 3&ordm;, 6&ordm;, INC. VIII, 14, &sect;3&ordm;, E 39, INC. I; CPC/2015, ARTS. 85, &sect;11, E 373, INC. I. <em>JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA:</em> STJ, RESP 1.639.259/SP, TEMA 972; TJRS, APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL N&ordm; 5030507-**.2024.8.21.****, REL. DES. ANGELA TEREZINHA DE OLIVEIRA BRITO, J. 28-08-2025.</p></section> <section> <p align="center">DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA</p> </section> <section> <p>Trata-se de apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel interposta por&nbsp;<span>C**** S***** M**** F******</span> contra senten&ccedil;a que julgou improcedente a a&ccedil;&atilde;o declarat&oacute;ria de nulidade de seguro prestamista movida em face de&nbsp;F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I***********, cujo dispositivo restou assim redigido:&nbsp;</p> <p>Julgo IMPROCEDENTE a a&ccedil;&atilde;o movida por&nbsp;<span>C**** S***** M**** F******</span>&nbsp;contra&nbsp;F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I***********.</p> <p>Condeno a parte autora ao pagamento das custas processuais e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios do procurador da parte r&eacute;, que fixo em 10% sobre o valor atualizado da causa.&nbsp;Considero o grau de zelo do profissional, a natureza e a import&acirc;ncia da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi&ccedil;o (C&oacute;digo de Processo Civil, art. 85, &sect;2&ordm;).</p> <p>Os honor&aacute;rios advocat&iacute;cios ser&atilde;o atualizados conforme a varia&ccedil;&atilde;o do IPCA (&Iacute;ndice Nacional de Pre&ccedil;os ao Consumidor Amplo) desde a data desta senten&ccedil;a. Os juros de mora ser&atilde;o calculados a partir do tr&acirc;nsito em julgado, pela diferen&ccedil;a entre a Selic e o IPCA, conforme art. 406 do C&oacute;digo Civil.</p> <p>Em face da gratuidade judici&aacute;ria&nbsp;concedida, o pagamento das custas e honor&aacute;rios ficar&aacute; suspenso, nos termos do artigo 98, &sect;3&ordm;, do CPC.</p> <p>&nbsp;</p> <p>Em suas raz&otilde;es recursais, a apelante sustenta a ocorr&ecirc;ncia de venda casada na contrata&ccedil;&atilde;o do seguro prestamista no importe de R$ 304,46, decorrente da celebra&ccedil;&atilde;o da C&eacute;dula de Cr&eacute;dito Banc&aacute;rio n&ordm; 6961360002. Afirma que o encargo foi embutido na concess&atilde;o do cr&eacute;dito, sem oportunizar a contrata&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma do empr&eacute;stimo nem conferir a liberdade de escolha de outra seguradora, em descompasso com o Tema 972 do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a e com o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor. Defende a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova, a declara&ccedil;&atilde;o de nulidade do seguro, a repeti&ccedil;&atilde;o em dobro dos valores pagos a contar de 30/03/2021 ou de forma simples, bem como a invers&atilde;o da sucumb&ecirc;ncia.</p> <p>A parte apelada ofertou contrarraz&otilde;es (Evento 50).&nbsp;</p> <p>Subiram os autos, vindo conclusos para julgamento a este Relator.&nbsp;</p> <p>Tendo em vista a ado&ccedil;&atilde;o do sistema informatizado, os procedimentos para observ&acirc;ncia dos ditames do CPC foram simplificados, mas observados em sua integralidade.&nbsp;</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio.&nbsp;</p> <p>Passo a decidir.&nbsp;</p> <p>Conhe&ccedil;o da apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel, pois presentes todos os seus requisitos de admissibilidade recursal.&nbsp;</p> <p>Inicialmente, cumpre salientar que a presente demanda deve ser analisada sob a &oacute;tica do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, uma vez que a institui&ccedil;&atilde;o financeira demandada se enquadra no conceito de fornecedora, nos termos do art. 3&ordm; do CDC, enquanto a parte autora ostenta a condi&ccedil;&atilde;o de consumidora, conforme o art. 2&ordm; do mesmo diploma.</p> <p>Nesse sentido, disp&otilde;e a legisla&ccedil;&atilde;o consumerista:</p> <p>Art. 2&ordm;. Consumidor &eacute; toda pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica que adquire ou utiliza produto ou servi&ccedil;o como destinat&aacute;rio final. <em>Par&aacute;grafo &uacute;nico.</em>&nbsp;Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermin&aacute;veis, que haja intervindo nas rela&ccedil;&otilde;es de consumo.</p> <p>Art. 3&ordm;. Fornecedor &eacute; toda pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica, p&uacute;blica ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produ&ccedil;&atilde;o, montagem, cria&ccedil;&atilde;o, constru&ccedil;&atilde;o, transforma&ccedil;&atilde;o, importa&ccedil;&atilde;o, exporta&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o ou comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos ou presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. &sect; 1&ordm; Produto &eacute; qualquer bem, m&oacute;vel ou im&oacute;vel, material ou imaterial. &sect; 2&ordm; Servi&ccedil;o &eacute; qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remunera&ccedil;&atilde;o, inclusive as de natureza banc&aacute;ria, financeira, de cr&eacute;dito e securit&aacute;ria, salvo as decorrentes das rela&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter trabalhista.</p> <p>&nbsp;</p> <p>No tocante &agrave; responsabilidade civil, trata-se de hip&oacute;tese objetiva, tendo em vista que as institui&ccedil;&otilde;es financeiras, como fornecedoras de servi&ccedil;os, respondem pelos danos decorrentes de falhas na presta&ccedil;&atilde;o de suas atividades, independentemente de culpa, nos termos do art. 14 do CDC:</p> <p><em><em>Art. 14. O fornecedor de servi&ccedil;os responde, independentemente da exist&ecirc;ncia de culpa, pela repara&ccedil;&atilde;o dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos &agrave; presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, bem como por informa&ccedil;&otilde;es insuficientes ou inadequadas sobre sua frui&ccedil;&atilde;o e riscos.</em></em></p> <p>&nbsp;</p> <p>Dessa forma, cabe ao fornecedor demonstrar a ocorr&ecirc;ncia de causa excludente de sua responsabilidade, conforme estabelecem os arts. 12, &sect; 3&ordm;, e 14, &sect; 3&ordm;, do CDC.</p> <p>Ademais, nos termos do art. 6&ordm;, inciso VIII, do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, &eacute; garantida a facilita&ccedil;&atilde;o da defesa em ju&iacute;zo mediante a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova, a crit&eacute;rio do magistrado, sempre que presentes a verossimilhan&ccedil;a das alega&ccedil;&otilde;es ou a hipossufici&ecirc;ncia do consumidor.</p> <p>A pr&aacute;tica de venda casada, que consiste em condicionar a contrata&ccedil;&atilde;o de um produto ou servi&ccedil;o &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de outro, &eacute; expressamente vedada nas rela&ccedil;&otilde;es de consumo pelo art. 39, I, do CDC. Tal dispositivo pro&iacute;be que o fornecedor imponha ao consumidor a aquisi&ccedil;&atilde;o conjunta ou obrigat&oacute;ria de bens ou servi&ccedil;os, preservando, assim, a liberdade de escolha do contratante e a autonomia da vontade na forma&ccedil;&atilde;o do contrato.</p> <p>No &acirc;mbito dos contratos banc&aacute;rios, essa veda&ccedil;&atilde;o ganha contornos importantes, especialmente na contrata&ccedil;&atilde;o de seguros vinculados, como o seguro prestamista, cuja finalidade &eacute; garantir a quita&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida em caso de sinistro.</p> <p>O STJ, no julgamento do Recurso Especial n&ordm; 1.639.259/SP, firmou entendimento sob a sistem&aacute;tica dos recursos repetitivos (Tema 972) no sentido de que o consumidor n&atilde;o pode ser compelido a contratar seguro diretamente com a institui&ccedil;&atilde;o financeira ou com seguradora por ela indicada. Essa imposi&ccedil;&atilde;o caracteriza pr&aacute;tica abusiva de venda casada, uma vez que restringe a liberdade de escolha do consumidor, que &eacute; fundamental para a validade do neg&oacute;cio jur&iacute;dico.</p> <p>Todavia, a mera coincid&ecirc;ncia temporal entre a contrata&ccedil;&atilde;o do empr&eacute;stimo e do seguro n&atilde;o gera, por si s&oacute;, presun&ccedil;&atilde;o de venda casada. Incumbe ao consumidor demonstrar que a contrata&ccedil;&atilde;o do seguro foi imposta como condi&ccedil;&atilde;o para obten&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito, nos termos do art. 373, I, do CPC, o que restringiria sua liberdade de escolha.</p> <p>No presente caso, n&atilde;o h&aacute; prova de que a contrata&ccedil;&atilde;o do seguro prestamista tenha sido imposta ou condicionada pela institui&ccedil;&atilde;o financeira. Pelo contr&aacute;rio, o instrumento contratual juntado aos autos (<span>evento 1, CONTR4</span>) demonstra de forma inequ&iacute;voca que a ades&atilde;o ao seguro era facultativa. O contrato possui uma cl&aacute;usula espec&iacute;fica, de n&uacute;mero 12, que disp&otilde;e sobre a oferta do "Microsseguro Prestamista" em que a parte manifestou seu aceite:&nbsp;</p> <p></p> <p>&nbsp;</p> <p>A clareza da cl&aacute;usula e a exist&ecirc;ncia de campos distintos para manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade afastam a alega&ccedil;&atilde;o de v&iacute;cio de consentimento ou de imposi&ccedil;&atilde;o. Essa circunst&acirc;ncia f&aacute;tica descaracteriza a hip&oacute;tese de venda casada, pr&aacute;tica abusiva que consiste em condicionar o fornecimento de um produto ou servi&ccedil;o &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de outro, nos termos do artigo 39, I, do CDC.</p> <p>Nesse sentido, a prova dos autos indica que o seguro foi ofertado como produto aut&ocirc;nomo e opcional, e a contrata&ccedil;&atilde;o decorreu da aceita&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria do autor, e n&atilde;o de uma imposi&ccedil;&atilde;o do banco como requisito para a concess&atilde;o do empr&eacute;stimo.</p> <p>Outro ponto relevante &eacute; que n&atilde;o h&aacute; nos autos qualquer evid&ecirc;ncia de que o requerente tenha tentado cancelar o seguro durante sua vig&ecirc;ncia ou que tenha manifestado sua discord&acirc;ncia com a contrata&ccedil;&atilde;o, antes do ajuizamento da presente a&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Nesse sentido &eacute; a jurisprud&ecirc;ncia desta Corte:</p> <p>DIREITO CIVIL. APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE VE&Iacute;CULO. SEGURO PRESTAMISTA. VENDA CASADA. N&Atilde;O CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME:1. Apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel interposta contra senten&ccedil;a que julgou improcedente a a&ccedil;&atilde;o em que a parte autora pleiteava a declara&ccedil;&atilde;o de ilegalidade da venda casada referente ao seguro prestamista vinculado ao contrato de financiamento de ve&iacute;culo e a repeti&ccedil;&atilde;o dos valores pagos. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:1. H&aacute; tr&ecirc;s quest&otilde;es em discuss&atilde;o: (i) preliminar de falta de interesse de agir; (ii) preliminar de ilegitimidade passiva da seguradora; (iii) m&eacute;rito quanto &agrave; ocorr&ecirc;ncia de venda casada na contrata&ccedil;&atilde;o de seguro prestamista vinculado ao contrato de financiamento. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:1. A preliminar de falta de interesse de agir foi rejeitada, pois o acesso ao Poder Judici&aacute;rio n&atilde;o pode ser condicionado &agrave; pr&eacute;via solicita&ccedil;&atilde;o ou oposi&ccedil;&atilde;o administrativa, sob pena de afronta ao art. 5&ordm;, XXXV, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.2. A preliminar de ilegitimidade passiva da seguradora foi rejeitada, considerando que a seguradora &eacute; a emissora do seguro prestamista objeto da lide, conforme documenta&ccedil;&atilde;o acostada aos autos.3. No m&eacute;rito, n&atilde;o h&aacute; elementos que demonstrem que a autora tenha sido compelida a contratar o seguro como condi&ccedil;&atilde;o para a obten&ccedil;&atilde;o do financiamento.4. Os documentos juntados aos autos demonstram que o contrato de seguro foi firmado em instrumento pr&oacute;prio, com cl&aacute;usulas claras e espec&iacute;ficas, onde constam expressamente informa&ccedil;&otilde;es sobre a facultatividade da contrata&ccedil;&atilde;o.5. O seguro tem por finalidade garantir o pagamento do saldo devedor em caso de ocorr&ecirc;ncia de sinistros previstos na ap&oacute;lice, beneficiando tanto o segurado quanto a institui&ccedil;&atilde;o financeira.6. Durante todo o per&iacute;odo de vig&ecirc;ncia do contrato, a autora esteve coberta pelo seguro, de modo que, caso ocorresse algum sinistro previsto na ap&oacute;lice, teria direito &agrave; cobertura securit&aacute;ria. IV. DISPOSITIVO E TESE:1. Preliminares de falta de interesse de agir e ilegitimidade passiva rejeitadas.2. Recurso desprovido, com majora&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios sucumbenciais para 10% sobre o valor atribu&iacute;do &agrave; causa, nos termos do art. 85, &sect; 11, do CPC, observada a suspens&atilde;o da exigibilidade em raz&atilde;o da gratuidade da justi&ccedil;a deferida &agrave; parte apelante.Tese de julgamento: 1. N&atilde;o configura venda casada a contrata&ccedil;&atilde;o de seguro prestamista em instrumento pr&oacute;prio, com cl&aacute;usulas claras e espec&iacute;ficas sobre a facultatividade da contrata&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havendo demonstra&ccedil;&atilde;o de que o financiamento estava condicionado &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o do seguro. ___________Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5&ordm;, XXXV; CDC, art. 39, I; CPC, art. 85, &sect;&sect; 8&ordm; e 11, art. 487, I.Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ, Tema 972.(Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, N&ordm; 5030507-**.2024.8.21.****, D&eacute;cima Terceira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Angela Terezinha de Oliveira Brito, Julgado em: 28-08-2025)</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. SEGURO PRESTAMISTA. PAPACARD. CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O POR MEIO TELEF&Ocirc;NICO. VENDA CASADA. INOCORR&Ecirc;NCIA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME: A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE NULIDADE DE CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DE SEGURO PRESTAMISTA E SERVI&Ccedil;O DENOMINADO "PAPCARD", CUMULADA COM PEDIDOS DE&nbsp;REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO E INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. A PARTE AUTORA ALEGOU A OCORR&Ecirc;NCIA DE VENDA CASADA NAS CONTRATA&Ccedil;&Otilde;ES VINCULADAS A CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO. A SENTEN&Ccedil;A JULGOU IMPROCEDENTES OS PEDIDOS, RECONHECENDO A REGULARIDADE DAS CONTRATA&Ccedil;&Otilde;ES IMPUGNADAS. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O: I. VERIFICAR SE HOUVE IMPOSI&Ccedil;&Atilde;O OU VINCULA&Ccedil;&Atilde;O OBRIGAT&Oacute;RIA DA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DO SEGURO PRESTAMISTA E DO SERVI&Ccedil;O ACESS&Oacute;RIO AO CONTRATO PRINCIPAL DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO, CARACTERIZANDO DESTE MODO A VENDA CASADA; II. APURAR A EVENTUAL OCORR&Ecirc;NCIA E RESPONSABILIDADE POR DANOS MORAIS E A REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE VALORES PAGOS. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR: COMPROVADA A CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DO SEGURO PRESTAMISTA E DO PACTO PAPCARD MEDIANTE ANU&Ecirc;NCIA EXPRESSA DA PARTE AUTORA EM CONTATOS TELEF&Ocirc;NICOS DISTINTOS DA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DO CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO, AUSENTE V&Iacute;NCULO COMPULS&Oacute;RIO ENTRE AS AVEN&Ccedil;AS. OS &Aacute;UDIOS JUNTADOS S&Atilde;O PROVAS L&Iacute;CITAS E DEMONSTRAM O OFERECIMENTO DAS CONTRATA&Ccedil;&Otilde;ES DE FORMA SEPARADA E A ACEITA&Ccedil;&Atilde;O INEQU&Iacute;VOCA POR PARTE DA CONSUMIDORA, INCLUSIVE COM A CONFIRMA&Ccedil;&Atilde;O DE DADOS PESSOAIS E EXPOSI&Ccedil;&Atilde;O CLARA DAS COBERTURAS E VALORES ENVOLVIDOS. A JURISPRUD&Ecirc;NCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTI&Ccedil;A FIXADA NO TEMA 972, REAFIRMA A ILICITUDE DA PACTUA&Ccedil;&Atilde;O CASADA DE SEGURO COM INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA OU SEGURADORA POR ELA INDICADA; CONTUDO, TAL VEDA&Ccedil;&Atilde;O N&Atilde;O SE APLICA QUANDO H&Aacute; LIVRE E AUT&Ocirc;NOMA MANIFESTA&Ccedil;&Atilde;O DE VONTADE DA CONSUMIDORA, COMO PROVAS DEMONSTRAM TER OCORRIDO NO PRESENTE CASO. DESSA FORMA, DESCABIDA DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE NULIDADE E RESTITUI&Ccedil;&Atilde;O DOS VALORES PAGOS OU REPARA&Ccedil;&Atilde;O POR INEXISTENTE DANO MORAL. MANTIDA A SENTEN&Ccedil;A DE IMPROCED&Ecirc;NCIA. IV. DISPOSITIVO E TESE: APELA&Ccedil;&Atilde;O IMPROVIDA. MANTIDA A SENTEN&Ccedil;A QUE JULGOU IMPROCEDENTES OS PEDIDOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE NULIDADE DOS CONTRATOS ACESS&Oacute;RIOS, RESTITUI&Ccedil;&Atilde;O DE VALORES E INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. &Ocirc;NUS SUCUMBENCIAIS MAJORADOS, OBSERVADA A SUSPENS&Atilde;O DA EXIGIBILIDADE EM RAZ&Atilde;O DA GRATUIDADE DE JUSTI&Ccedil;A DEFERIDA &Agrave; PARTE AUTORA. TESE DE JULGAMENTO: &ldquo;1. A CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DE SEGURO PRESTAMISTA E SERVI&Ccedil;O ACESS&Oacute;RIO POR MEIO DE LIGA&Ccedil;&Atilde;O TELEF&Ocirc;NICA, COM MANIFESTA&Ccedil;&Atilde;O EXPRESSA DE VONTADE E EM MOMENTO DISTINTO DA CELEBRA&Ccedil;&Atilde;O DO CONTRATO PRINCIPAL, N&Atilde;O CONFIGURA VENDA CASADA. 2. AUSENTE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO, N&Atilde;O H&Aacute; QUE SE FALAR EM NULIDADE DO CONTRATO, REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO OU INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS.&rdquo; DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS: CDC, ART. 39, I; CPC, ART. 85, &sect; 11. JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA: STJ, RESP 1.639.320/SP (TEMA 972), REL. MIN. PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA SE&Ccedil;&Atilde;O, J. 13.03.2019; TJRS, APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL N&ordm; 5006886-**.2023.8.21.****, REL. DES. LEANDRO RAUL KLIPPEL, J. 10.04.2025; TJRS, APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL N&ordm; 5003961-**.2024.8.21.****, REL. DES. FERNANDO FLORES CABRAL JUNIOR, J. 18.12.2024; TJRS, APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL N&ordm; 5235233-**.2023.8.21.****, REL. DES. VIVIAN CRISTINA ANGONESE SPENGLER, J. 12.12.2024.(Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, N&ordm; 5023119-**.2024.8.21.****, Vig&eacute;sima Quinta C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Eduardo Kothe Werlang, Julgado em: 27-05-2025)</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O DE INEXIST&Ecirc;NCIA DE D&Eacute;BITO. SEGURO PRESTAMISTA. VENDA CASADA N&Atilde;O CONFIGURADA. IMPROCED&Ecirc;NCIA DO PEDIDO. I. CASO EM EXAME:1. Apela&ccedil;&atilde;o c&iacute;vel interposta contra senten&ccedil;a que julgou improcedente o pedido de declara&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de d&eacute;bito em raz&atilde;o da venda casada, condenando a autora ao pagamento das custas e honor&aacute;rios advocat&iacute;cios. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:1. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste na alega&ccedil;&atilde;o de venda casada do seguro prestamista, com pedido de declara&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de d&eacute;bito e restitui&ccedil;&atilde;o de valores pagos. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:1. N&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios de que a contrata&ccedil;&atilde;o do seguro tenha sido imposta &agrave; parte apelante, sendo a contrata&ccedil;&atilde;o realizada por &aacute;udio, com esclarecimento das caracter&iacute;sticas do seguro e oportunidade de escolha.2. A liberdade das partes em pactuar cl&aacute;usulas contratuais foi respeitada, n&atilde;o havendo ilegalidade na contrata&ccedil;&atilde;o do seguro prestamista.3. A jurisprud&ecirc;ncia do STJ e do TJRS n&atilde;o reconhece a venda casada quando o consumidor tem a op&ccedil;&atilde;o de contratar o seguro de sua prefer&ecirc;ncia.4. A alega&ccedil;&atilde;o de venda casada n&atilde;o se sustenta, restando prejudicados os demais pedidos da parte autora. IV. DISPOSITIVO E TESE:1. Recurso desprovido. Senten&ccedil;a de improced&ecirc;ncia mantida.Tese de julgamento: 1. A contrata&ccedil;&atilde;o de seguro prestamista, quando realizada com liberdade de escolha pelo consumidor, n&atilde;o configura venda casada, sendo v&aacute;lida e exig&iacute;vel. (Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, N&ordm; 5261358-**.2023.8.21.****, D&eacute;cima Oitava C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Leandro Raul Klippel, Julgado em: 15-05-2025)</p> <p>&nbsp;</p> <p>Dessa forma, n&atilde;o se verifica a pr&aacute;tica de venda casada, n&atilde;o havendo raz&atilde;o para a anula&ccedil;&atilde;o da contrata&ccedil;&atilde;o do seguro, restitui&ccedil;&atilde;o dos valores pagos e indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais.</p> <p>Portanto, mantenho a senten&ccedil;a por seus pr&oacute;prios fundamentos.</p> <p>Ante o exposto, em decis&atilde;o monocr&aacute;tica,&nbsp;<strong>nego provimento ao apelo</strong>, mantendo a senten&ccedil;a recorrida por seus pr&oacute;prios fundamentos.&nbsp;</p> <p>Em aten&ccedil;&atilde;o ao disposto no art. 85, &sect;11, do CPC, majoro os honor&aacute;rios sucumbenciais devidos ao patrono da parte apelada para 12% (doze por cento) sobre o valor da causa. Suspensa a exigibilidade por litigar a parte apelante sob o amparo da AJG.</p> <p>Intimem-se.&nbsp;</p> <p>Dilig&ecirc;ncias legais.</p></section> <section> </section> <section> <p>&nbsp;</p> <hr> <p>&nbsp;</p></section> <footer> </footer></article></body></html>

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