TJRS Intimação Secretaria da 11ª Câmara Cível

Intimação — 5164408-**.2026.8.21.****

Publicado em

Dados da publicação

Número do processo

5164408-**.2026.8.21.****

Partes

A - A**** P**** R****** | P - F**** F********* S*.A*. C******, F************ E*…

Advogados

L*** A****** D* A****** L*** (129567/R*) |…

Texto da publicação

<html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Agravo de Instrumento N&ordm; 5164408-**.2026.8.21.****/RS</b></section> <section> <div><p><b>TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: </b>Empr&eacute;stimo consignado</p></div> </section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador FERNANDO ANTONIO JARDIM PORTO</td></tr><tr><td>AGRAVANTE</td><td>: A**** P**** R******</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: M****** C**** (OAB RS103396)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: J****** P****** K*** (OAB RS106077)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: L*** A****** D* A****** L*** (OAB RS129567)</td></tr><tr><td>AGRAVADO</td><td>: F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I***********</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: A****** D* M***** D****** N*** (OAB PE023255)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>DIREITO DO CONSUMIDOR. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. CONTRATO DE RESERVA DE CART&Atilde;O CONSIGNADO (RCC). ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO. TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA. INDEFERIMENTO NA ORIGEM. SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS EM BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO. REQUISITOS PREENCHIDOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.</strong></p> <p><strong>I. CASO EM EXAME:</strong> 1. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECIS&Atilde;O QUE INDEFERIU TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA E SUSPENDEU O PROCESSO COM BASE NO TEMA REPETITIVO 1414/STJ, EM A&Ccedil;&Atilde;O NA QUAL A AGRAVANTE, PENSIONISTA IDOSA, ALEGA TER SIDO INDUZIDA A CONTRATAR RESERVA DE CART&Atilde;O CONSIGNADO (RCC) QUANDO PRETENDIA CONTRATAR EMPR&Eacute;STIMO CONSIGNADO CONVENCIONAL, COM DESCONTOS MENSAIS EM SEU BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO QUE COMPROMETEM SUA SUBSIST&Ecirc;NCIA.</p> <p><strong>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:</strong> 1. H&Aacute; DUAS QUEST&Otilde;ES EM DISCUSS&Atilde;O: (I) SE A SUSPENS&Atilde;O DO PROCESSO PELO TEMA 1414/STJ IMPEDE A APRECIA&Ccedil;&Atilde;O DO PEDIDO DE TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA; (II) SE EST&Atilde;O PRESENTES OS REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC PARA A CONCESS&Atilde;O DA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA.</p> <p><strong>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:</strong> 1. A SUSPENS&Atilde;O DO PROCESSO COM BASE NO TEMA 1414/STJ N&Atilde;O IMPEDE A APRECIA&Ccedil;&Atilde;O DO PEDIDO DE TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA, POIS OS ARTS. 314 E 982, &sect; 2&ordm;, DO CPC AUTORIZAM A PR&Aacute;TICA DE ATOS URGENTES DURANTE A SUSPENS&Atilde;O PROCESSUAL. 2. A PROBABILIDADE DO DIREITO EST&Aacute; PRESENTE NA ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO NA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DO RCC, EM CONTEXTO DE HIPOSSUFICI&Ecirc;NCIA INFORMACIONAL DE CONSUMIDORA IDOSA E PENSIONISTA, CUJA CAUSA DE PEDIR N&Atilde;O SE LIMITA &Agrave; NEGATIVA DA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O, MAS AO V&Iacute;CIO NA FORMA E NA MODALIDADE DO NEG&Oacute;CIO JUR&Iacute;DICO CELEBRADO. 3. O PERIGO DE DANO DECORRE DO COMPROMETIMENTO DE VERBA DE NATUREZA ALIMENTAR, CONSISTENTE NO BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DA AGRAVANTE, CUJOS DESCONTOS MENSAIS, SOMADOS A OUTROS EMPR&Eacute;STIMOS CONSIGNADOS, AMEA&Ccedil;AM OS RECURSOS DESTINADOS &Agrave; SUA SUBSIST&Ecirc;NCIA. 4. A CONCESS&Atilde;O DA TUTELA N&Atilde;O CAUSA LES&Atilde;O IRREVERS&Iacute;VEL &Agrave; AGRAVADA, POIS A SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS &Eacute; PROVIS&Oacute;RIA E A MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL CORRESPONDENTE AO CONTRATO IMPUGNADO DEVE SER MANTIDA BLOQUEADA, A FIM DE PRESERVAR A GARANTIA DA INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA EM CASO DE PROVIMENTO FINAL EM SEU FAVOR.</p> <p><strong>IV. DISPOSITIVO E TESE:</strong> 1. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO PARA CONCEDER A TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA, COM SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS RELATIVOS AO CONTRATO IMPUGNADO, SEM LIBERA&Ccedil;&Atilde;O DA MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL CORRESPONDENTE. <em>TESE DE JULGAMENTO:</em> 1. A SUSPENS&Atilde;O DO PROCESSO PELO TEMA 1414/STJ N&Atilde;O OBSTA A APRECIA&Ccedil;&Atilde;O DO PEDIDO DE TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA, NOS TERMOS DOS ARTS. 314 E 982, &sect; 2&ordm;, DO CPC. 2. A ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO NA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DE RESERVA DE CART&Atilde;O CONSIGNADO (RCC), EM CONTEXTO DE HIPOSSUFICI&Ecirc;NCIA INFORMACIONAL DE CONSUMIDORA IDOSA, ALIADA AO COMPROMETIMENTO DE VERBA ALIMENTAR, PREENCHE OS REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC PARA A CONCESS&Atilde;O DA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA.</p> <p>___________ <em>DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS:</em> CPC/2015, ARTS. 300, 303, 314, 334, &sect; 4&ordm;, INC. II, 536, &sect; 1&ordm;, 537 E 982, &sect; 2&ordm;; LEI 10.741/2003, ART. 71. <em>JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA:</em> TJRS, AGRAVO DE INSTRUMENTO N&ordm; 5115198-**.2025.8.21.****, D&Eacute;CIMA C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL, REL. T&Uacute;LIO DE OLIVEIRA MARTINS, J. 09-05-2025; TJRS, AGRAVO DE INSTRUMENTO N&ordm; 5117069-**.2025.8.21.****, D&Eacute;CIMA PRIMEIRA C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL, REL. LUIS ANTONIO BEHRENSDORF GOMES DA SILVA, J. 12-05-2025.</p></section> <section> <p align="center">DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA</p> </section> <section> <p>Cuida-se de agravo de instrumento interposto por <strong>AUR&Eacute;A PENNA RUGGERI</strong> em face da decis&atilde;o interlocut&oacute;ria proferida no&nbsp;<span>evento 4, DESPADEC1</span>&nbsp;que, dentre outras disposi&ccedil;&otilde;es,&nbsp;indeferiu o pedido de antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela e determinou a suspens&atilde;o do feito com base no Tema Repetitivo 1414/STJ, nos seguintes termos:</p> <p>"1. Defiro a prioridade de tramita&ccedil;&atilde;o requerida pela parte autora (<span>evento 1, INIC1</span>), com base no art. 71 da lei de n.<sup>o</sup>&nbsp;10.741&nbsp;- Estatuto da Pessoa Idosa.</p> <p>2. Mister registrar que deixo de designar audi&ecirc;ncia pr&eacute;via de concilia&ccedil;&atilde;o/media&ccedil;&atilde;o em vista da expressa manifesta&ccedil;&atilde;o de desinteresse da parte autora e diante da inviabilidade da composi&ccedil;&atilde;o em casos em que uma das partes, desde logo, manifesta contrariedade, segundo a regra de experi&ecirc;ncia comum baseada no que ordinariamente acontece (artigo 334, &sect; 4&ordm;, inciso II, C&oacute;digo de Processo Civil).&nbsp;</p> <p>3. Considerando a documenta&ccedil;&atilde;o apresentada pela Autora (<span>evento 1, EXTR6</span>), defiro o pedido de concess&atilde;o do benef&iacute;cio de gratuidade da justi&ccedil;a.</p> <p>Trata-se de a&ccedil;&atilde;o de convers&atilde;o de cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado em empr&eacute;stimo consignado cumulada com indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais &ndash; RCC, na qual a parte autora alega ter dirigido-se&nbsp;<em>ao requerido com o intuito de contratar empr&eacute;stimo consignado. Por&eacute;m, o requerido registrou outro servi&ccedil;o financeiros, qual seja, a Reserva Cart&atilde;o de consignado (RCC), cada um no valor de 1.882,93, contrato 0099126653.&nbsp;</em>Descreveu que a sua inten&ccedil;&atilde;o&nbsp;<em>era a contrata&ccedil;&atilde;o de em pr&eacute;stimo consignado, mas n&atilde;o de cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado, sendo induzida pelo requerido a assinar o contrato como se fosse uma opera&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimo consignado.</em></p> <p>Relatou que&nbsp;<em>inexiste previs&atilde;o no contrato celebrado sobre o termo final do pagamento, o que significar&aacute; na pr&aacute;tica eternizar a d&iacute;vida.</em>&nbsp;Sustentou que&nbsp;<em>o encargo financeiro cobrado pelo requerido equivale ao valor do desconto mensal da margem consign&aacute;vel, tornando-se impag&aacute;vel a d&iacute;vida.</em></p> <p>A parte autora pleiteia, liminarmente,&nbsp;<em>a suspens&atilde;o da exigibilidade e do pagamento dos descontos mensais previstos no contrato de cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado at&eacute; o t&eacute;rmino do processo, devendo o requerido se abster de incluir o nome da requerente em cadastros de prote&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito ou protestar o t&iacute;tulo em cart&oacute;rio, sob pena de multa di&aacute;ria de limitada a 5.000,00 (cinco mil reais),&nbsp;</em>e a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova, com base no C&oacute;digo de Defessa do Consumidor.</p> <p>Quanto ao pedido liminar, entendo que, neste momento processual, n&atilde;o est&atilde;o presentes os requisitos do art. 300 do CPC, em especial a probabilidade do direito alegado, na medida em que o esclarecimento acerca da forma de contrata&ccedil;&atilde;o do contrato de cart&atilde;o de cr&eacute;dito demanda dila&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria, incompat&iacute;vel com a fase de cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria.&nbsp;<u><strong>Assim, indefiro a tutela de urg&ecirc;ncia pleiteada.</strong></u></p> <p>[...]"</p> <p>Em suas raz&otilde;es recursais, a agravante narra que &eacute; pensionista do INSS, benefici&aacute;ria de pens&atilde;o por morte e que em 09/04/2025 se dirigiu &agrave; agravada com o objetivo de contratar empr&eacute;stimo consignado comum. Alega, contudo, que foi induzida a erro, tendo a institui&ccedil;&atilde;o financeira registrado contrato de Reserva de Cart&atilde;o Consignado (RCC), n&ordm; 0099126653, no valor de R$ 1.882,93, com desconto mensal de R$ 70,89 sobre seu benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio. Sustenta que nunca utilizou o cart&atilde;o para compras, que os descontos mensais equivalem apenas &agrave; amortiza&ccedil;&atilde;o dos encargos financeiros sem redu&ccedil;&atilde;o do saldo devedor, perpetuando a d&iacute;vida indefinidamente. Argumenta, ainda, que a suspens&atilde;o do processo pelo Tema 1414/STJ n&atilde;o impede a aprecia&ccedil;&atilde;o do pedido de tutela de urg&ecirc;ncia, com fundamento nos arts. 314 e 982, &sect; 2&ordm;, do CPC. Requer o efeito suspensivo ativo e, no m&eacute;rito, o provimento do recurso para reformar a decis&atilde;o recorrida (<span>evento 1, INIC1</span>).</p> <p>Foram apresentadas contrarraz&otilde;es no&nbsp;<span>evento 5, PET1</span>.</p> <p>O recurso foi recebido com efeito suspensivo no&nbsp;<span>evento 6, DESPADEC1</span>.</p> <p>Intimadas as partes, os autos retornaram-me conclusos para julgamento.&nbsp;</p> <p><strong>&Eacute; o breve relat&oacute;rio. Passo a decidir.</strong></p> <p>Inicialmente, consigno que cabe ao Relator dar ou negar provimento ao recurso interposto por decis&atilde;o monocr&aacute;tica, nos casos em que houver jurisprud&ecirc;ncia dominante acerca da mat&eacute;ria no &acirc;mbito das Cortes Superiores e do pr&oacute;prio Tribunal de Justi&ccedil;a.</p> <p>Como o caso em concreto se amolda &agrave; hip&oacute;tese acima mencionada, passo ao pronunciamento de forma monocr&aacute;tica, conforme preceituam os artigos 932, inciso VIII, do C&oacute;digo de Processo Civil e o artigo 206, inciso XXXVI, do Regimento Interno do Tribunal de Justi&ccedil;a do Rio Grande do Sul.</p> <p>Pois bem.</p> <p>Antes de adentrar nos requisitos da tutela de urg&ecirc;ncia, cumpre afastar o fundamento da decis&atilde;o recorrida no que tange &agrave; suspens&atilde;o do processo pelo Tema Repetitivo 1414/STJ, uma vez que o art. 314 do CPC permite a realiza&ccedil;&atilde;o de atos urgentes a fim de evitar dano irrepar&aacute;vel, bem como o art. 982, &sect; 2&ordm;, do CPC expressamente prev&ecirc; que, durante a suspens&atilde;o decorrente do julgamento de demandas repetitivas, o pedido de tutela de urg&ecirc;ncia ser&aacute; dirigido ao ju&iacute;zo onde tramita o processo suspenso.</p> <p>Portanto, a suspens&atilde;o determinada com base no Tema 1414/STJ n&atilde;o obstaculiza a aprecia&ccedil;&atilde;o e o deferimento de medida urgente, especialmente quando a quest&atilde;o posta em causa diz respeito &agrave; subsist&ecirc;ncia de pessoa idosa.</p> <p>Superado o ponto, para fins de antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela, o artigo 300 do C&oacute;digo de Processo Civil disp&otilde;e que:</p> <p><em>"A tutela de urg&ecirc;ncia ser&aacute; concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado &uacute;til do processo".</em></p> <p>A reda&ccedil;&atilde;o conferida ao instituto processual civil apresenta como requisitos basilares a probabilidade do direito postulado, al&eacute;m do perigo de dano iminente e/ou do risco ao resultado &uacute;til do processo, sendo estes requisitos concorrentes, de modo que a aus&ecirc;ncia de um deles inviabiliza a pretens&atilde;o da parte requerente &agrave; concess&atilde;o da medida.</p> <p>A partir da an&aacute;lise da peti&ccedil;&atilde;o inicial da a&ccedil;&atilde;o de conhecimento (<span>evento 1, INIC1</span>), &eacute; poss&iacute;vel depreender que a controv&eacute;rsia principal reside na alega&ccedil;&atilde;o de v&iacute;cio de consentimento na contrata&ccedil;&atilde;o de Reserva de Cart&atilde;o Consignado (RCC), isto &eacute;, na negativa da parte agravante quanto &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o consciente daquela modalidade de neg&oacute;cio jur&iacute;dico.</p> <p>Com efeito, a agravante afirma que se dirigiu &agrave; institui&ccedil;&atilde;o financeira com o objetivo de contratar empr&eacute;stimo consignado convencional mas, posteriormente, foi surpreendida com o registro do contrato de cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado em quest&atilde;o.</p> <p>Nesse contexto, a probabilidade do direito da parte agravante fica evidenciada a partir da negativa de inten&ccedil;&atilde;o da contrata&ccedil;&atilde;o como posta, na medida em que a autora alega que tinha o interesse no contrato de empr&eacute;stimo consignado comum. Tal narrativa encontra respaldo na frequente pr&aacute;tica relatada nos in&uacute;meros casos similares que aportam a este Tribunal, onde consumidores s&atilde;o induzidos a erro quanto &agrave; natureza da contrata&ccedil;&atilde;o.</p> <p>No ponto, a&nbsp;apresenta&ccedil;&atilde;o na origem do contrato assinado pela parte agravante n&atilde;o &eacute; suficiente para malferir o acolhimento da pretens&atilde;o recursal em sede de tutela. Isso porque a causa de pedir da agravante n&atilde;o se limita &agrave; negativa pura e simples da contrata&ccedil;&atilde;o, mas est&aacute; fundamentada no v&iacute;cio inerente &agrave; forma e &agrave; modalidade espec&iacute;fica de contrata&ccedil;&atilde;o, em contexto de hipossufici&ecirc;ncia informacional da consumidora, idosa e pensionista. A quest&atilde;o da validade da manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade demanda an&aacute;lise probat&oacute;ria mais aprofundada, a ser realizada ao longo da instru&ccedil;&atilde;o processual.</p> <p>Portanto, nesse momento processual, em cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, os elementos apontados pela parte agravada n&atilde;o podem ser considerados de forma a afastar a tutela que se mostra plaus&iacute;vel diante da alega&ccedil;&atilde;o de v&iacute;cio de consentimento e da natureza da rela&ccedil;&atilde;o consumerista.</p> <p>Relativamente ao perigo de dano, requisito tamb&eacute;m inerente &agrave;s tutelas antecipadas, verifico a sua presen&ccedil;a a partir da constata&ccedil;&atilde;o de que os descontos mensais comprometem a verba de natureza alimentar da agravante, pensionista benefici&aacute;ria de pens&atilde;o por morte previdenci&aacute;ria.</p> <p>Agrava a situa&ccedil;&atilde;o o fato de que a margem consign&aacute;vel da agravante tamb&eacute;m j&aacute; se encontra comprometida com outros empr&eacute;stimos consignados, al&eacute;m do fato que os descontos em folha n&atilde;o reduzem integralmente a parcela mensal devida, dado que, no contexto geral, tem o cond&atilde;o de comprometer os recursos destinados &agrave; subsist&ecirc;ncia.</p> <p>Entendo, de outro canto, que a concess&atilde;o da tutela de urg&ecirc;ncia nesse momento processual n&atilde;o causar&aacute; les&atilde;o &agrave; parte agravada, visto que o pedido antecipat&oacute;rio pretende a suspens&atilde;o provis&oacute;ria dos descontos, de modo que eventual altera&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o ensejar&aacute; no retorno das partes ao <em>status quo</em>. Em contrapartida, evita a ocorr&ecirc;ncia de dano irrepar&aacute;vel ou de dif&iacute;cil repara&ccedil;&atilde;o &agrave; agravante, conforme acima explanado.</p> <p>A t&iacute;tulo elucidativo, s&atilde;o os precedentes desta Corte de Justi&ccedil;a em casos semelhantes:</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. SUSPENS&Atilde;O DE DESCONTOS DE EMPR&Eacute;STIMO CONSIGNADO EM BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO. PRESEN&Ccedil;A DOS REQUISITOS LEGAIS PARA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA. ART. 300 DO CPC. Deve ser deferida a tutela de urg&ecirc;ncia quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado &uacute;til do processo. Em se tratando de alega&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel exigir da autora prova negativa da n&atilde;o contrata&ccedil;&atilde;o. Probabilidade do direito evidenciada. O risco de dano reside na natureza alimentar do benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio do qual est&atilde;o sendo debitadas as parcelas. Tutela provis&oacute;ria deferida para que o requerido se abstenha de efetuar descontos no benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio da recorrente. RECURSO PROVIDO.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5115198-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: T&uacute;lio de Oliveira Martins, Julgado em: 09-05-2025)</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA. DESCONTOS DE VALORES. NEGATIVA DE CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O. SUSPENS&Atilde;O DA COBRAN&Ccedil;A EFETIVADA PELA INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA: CABIMENTO. Caso em que o agravante nega a contrata&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimo junto &agrave; institui&ccedil;&atilde;o financeira agravada. Parcelas descontadas diretamente em benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio da parte. Estando em discuss&atilde;o a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia da d&iacute;vida, cab&iacute;vel a determina&ccedil;&atilde;o de serem suspensos os descontos realizados. Medida que n&atilde;o atinge direito do credor. Averba&ccedil;&atilde;o de registro de discuss&atilde;o no extrato do benef&iacute;cio recebido pela parte. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO EM PARTE. DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5107287-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em: 30-04-2025)</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O ORDIN&Aacute;RIA. CONSOANTE DISP&Otilde;E O ART. 300 DO CPC, A TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA SER&Aacute; CONCEDIDA QUANDO HOUVER ELEMENTOS QUE EVIDENCIEM A PROBABILIDADE DO DIREITO E O PERIGO DE DANO OU O RISCO AO RESULTADO &Uacute;TIL DO PROCESSO. NO CASO EM EXAME, CONSIDERANDO A POSSIBILIDADE DE TER OCORRIDO FALHA NO DEVER DE INFORMA&Ccedil;&Atilde;O AO CONSUMIDOR, QUE, AO QUE TUDO INDICA, N&Atilde;O TINHA INTEN&Ccedil;&Atilde;O EM CONTRATAR O CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL, O QUAL DEU ORIGEM AOS DESCONTOS EM SEU BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO, MAS, SIM, CONTRAIR UM EMPR&Eacute;STIMO CONSIGNADO, VI&Aacute;VEL A CONCESS&Atilde;O DA ANTECIPA&Ccedil;&Atilde;O DA TUTELA PARA SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS E VEDA&Ccedil;&Atilde;O DA INSCRI&Ccedil;&Atilde;O NEGATIVA, NESSE MOMENTO PROCESSUAL, A FIM DE EVITAR MAIORES PREJU&Iacute;ZOS &Agrave; PARTE AUTORA. DERAM PROVIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. UN&Acirc;NIME.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5060846-**.2025.8.21.****, Vig&eacute;sima C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Walda Maria Melo Pierro, Julgado em: 24-04-2025)</p> <p>E, desta C&acirc;mara C&iacute;vel:</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE INEXIST&Ecirc;NCIA DE D&Eacute;BITO E RELA&Ccedil;&Atilde;O JUR&Iacute;DICA CUMULADA COM OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O DE FAZER, DEVOLU&Ccedil;&Atilde;O DE VALORES E INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. DECIS&Atilde;O QUE INDEFERIU A ANTECIPA&Ccedil;&Atilde;O DA TUTELA. PEDIDO DE SUSPENS&Atilde;O DA COBRAN&Ccedil;A DAS PARCELAS DO CONTRATO. RMC. POSSIBILIDADE DE SUSPENS&Atilde;O, CONSIDERANDO A NEGATIVA DE CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O DESTE TIPO DE CONTRATO. RELA&Ccedil;&Atilde;O CONSUMERISTA. PRESENTE A PROBABILIDADE DO DIREITO, CONFORME ART. 300 DO CPC. PRECEDENTES DESTA CORTE. PROVIMENTO NO PONTO PARA QUE N&Atilde;O HAJA LIBERA&Ccedil;&Atilde;O DA MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL, A FIM DE GARANTIR O CUMPRIMENTO DA OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O POSTA, EVITANDO QUE SEJAM REALIZADOS NOVOS CONTRATOS. A MULTA POR EVENTUAL DESCUMPRIMENTO DEVE SER APLICADA POR DESCONTO, E N&Atilde;O NA MODALIDADE DI&Aacute;RIA. AGRAVO DE INSTRUMENTO PARCIALMENTE PROVIDO, POR DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5117069-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima Primeira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Luis Antonio Behrensdorf Gomes da Silva, Julgado em: 12-05-2025)</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DE CONHECIMENTO COM PEDIDO DE REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO E DANOS MORAIS. TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA. CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO (RMC). SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS A T&Iacute;TULO DE RESERVA DE CART&Atilde;O CONSIGNADO, SEM LIBERA&Ccedil;&Atilde;O DA MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL. Suspens&atilde;o dos descontos referentes ao cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado. H&aacute; plausibilidade na alega&ccedil;&atilde;o da parte autora de que, ao contratar empr&eacute;stimo consignado com o recorrido, foi induzido em erro na fase pr&eacute;-pactual, acabando por firmar um contrato de cart&atilde;o de cr&eacute;dito RMC, com encargos financeiros e funcionalidade mais gravosos do que um simples contrato de empr&eacute;stimo consignado. Requisitos do artigo 300 do C&oacute;digo de Processo Civil preenchidos, pois verificada a probabilidade do direito e o perigo de dano &agrave; parte autora, idoso e com parcos rendimentos, na medida em que sustenta que n&atilde;o pretendia contratar cart&atilde;o de cr&eacute;dito e que, em raz&atilde;o da redu&ccedil;&atilde;o de seus proventos de aposentadoria, est&aacute; comprometendo sua subsist&ecirc;ncia. Controv&eacute;rsia a respeito de v&iacute;cio de vontade quando da contrata&ccedil;&atilde;o, indicando poss&iacute;vel falha na presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o e a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos b&aacute;sicos do consumidor. Cab&iacute;vel a suspens&atilde;o dos descontos at&eacute; o julgamento do feito origin&aacute;rio, sem a libera&ccedil;&atilde;o da margem consign&aacute;vel. Ainda, vedada a inscri&ccedil;&atilde;o do nome da parte autora nos cadastros negativos de d&eacute;bito ou de lev&aacute;-lo a protesto, referente ao contrato sub judice. Fixadas multas para o caso de descumprimento da medida. Artigos 536, &sect; 1&ordm; e 537, ambos do CPC. Decis&atilde;o reformada. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5093607-**.2025.8.21.****, D&eacute;cima Primeira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Maria Ines Claraz de Souza Linck, Julgado em: 14-04-2025)</p> <p>Nesse norte, como referi alhures, por estarem preenchidos os requisitos dos artigos 300 e 303 do C&oacute;digo de Processo Civil, entendo ser poss&iacute;vel o deferimento da tutela de urg&ecirc;ncia antecipada, nos exatos termos da decis&atilde;o do <span>evento 6, DESPADEC1</span>.</p> <p>Consigno, apenas, que o acolhimento da tutela &mdash; com a suspens&atilde;o dos descontos &mdash; fica vinculado &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da restri&ccedil;&atilde;o da margem consign&aacute;vel correspondente ao contrato n&ordm; 0099126653, o que fa&ccedil;o com o objetivo prec&iacute;puo de evitar que a medida antecipat&oacute;ria se torne irrevers&iacute;vel, especialmente a partir da efetiva&ccedil;&atilde;o de novo contrato de empr&eacute;stimo pela agravante que possa comprometer a garantia da agravada em caso de provimento final em seu favor.</p> <p>Fica a parte agravada cientificada de que o descumprimento da medida acima deferida incidir&aacute; a aplica&ccedil;&atilde;o de multa, a ser fixada pelo Ju&iacute;zo de primeira inst&acirc;ncia, considerando a relev&acirc;ncia da verba alimentar da agravante.</p> <p>Fixo, da mesma forma, que caber&aacute; ao Ju&iacute;zo a quo a expedi&ccedil;&atilde;o de of&iacute;cio ao INSS a fim de dar cumprimento ao presente comando, bem como, caso necess&aacute;rio, fixar multa em desfavor da agravada para a hip&oacute;tese de descumprimento.</p> <p>Diante do exposto, <strong>DOU PARCIAL PROVIMENTO</strong> ao recurso para conceder a antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela &agrave; agravante nos termos da fundamenta&ccedil;&atilde;o supra, determinando a suspens&atilde;o dos descontos relativos ao contrato impugnado, mas sem a libera&ccedil;&atilde;o da margem consign&aacute;vel correspondente.</p></section> <section> </section> <section> <p>&nbsp;</p> <hr> <p>&nbsp;</p></section> <footer> </footer></article></body></html>

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A data de disponibilização registrada é 28/09/2026. Datas e prazos devem ser confirmados na fonte oficial.

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O órgão informado na fonte pública é Secretaria da 11ª Câmara Cível.
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