TJRS Intimação Secretaria da 11ª Câmara Cível

Intimação — 5314802-**.2026.8.21.****

Publicado em

Dados da publicação

Número do processo

5314802-**.2026.8.21.****

Partes

A - F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I*********** | P - J***…

Advogados

I*** P**** R*** (78632/R*) | A****** D* M*****…

Texto da publicação

<html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Agravo de Instrumento N&ordm; 5314802-**.2026.8.21.****/RS</b></section> <section> <div><p><b>TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: </b>Empr&eacute;stimo consignado</p></div> </section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador FERNANDO ANTONIO JARDIM PORTO</td></tr><tr><td>AGRAVANTE</td><td>: F**** F********* S*.A*. C******, F************ E* I***********</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: A****** D* M***** D****** N*** (OAB AL010715A)</td></tr><tr><td>AGRAVADO</td><td>: J*** E*** D* S****</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: I*** P**** R*** (OAB RS078632)</td></tr></table></b></section> <section> <p align="center">EMENTA</p> </section> <section> <p><strong>AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. CONTRATO DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO (RCC). TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA. SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS EM BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO. REQUISITOS PRESENTES. TEMA 1.414 DO STJ. N&Atilde;O IMPEDIMENTO &Agrave; CONCESS&Atilde;O DE MEDIDAS URGENTES. RECURSO DESPROVIDO.</strong></p> <p><strong>I. CASO EM EXAME:</strong> 1. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECIS&Atilde;O QUE DEFERIU TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA PARA SUSPENDER OS DESCONTOS RELATIVOS A CONTRATO DE CART&Atilde;O CONSIGNADO DE BENEF&Iacute;CIO (RCC) INCIDENTES SOBRE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ DE BENEFICI&Aacute;RIO DO INSS, COM MAIS DE 65 ANOS, SOB ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE V&Iacute;CIO DE CONSENTIMENTO NA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O.</p> <p><strong>II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O:</strong> 1. H&Aacute; TR&Ecirc;S QUEST&Otilde;ES EM DISCUSS&Atilde;O: (I) PRESEN&Ccedil;A DOS REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC PARA A CONCESS&Atilde;O DA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA; (II) SE A DEMORA NO AJUIZAMENTO AFASTA O PERIGO DE DANO CONTEMPOR&Acirc;NEO; (III) SE A AFETA&Ccedil;&Atilde;O DO TEMA 1.414 DO STJ VEDA A CONCESS&Atilde;O DE TUTELAS URGENTES DURANTE O SOBRESTAMENTO.</p> <p><strong>III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:</strong> 1. A PROBABILIDADE DO DIREITO EST&Aacute; PRESENTE: OS DOCUMENTOS JUNTADOS PELA PR&Oacute;PRIA AGRAVANTE INDICAM MARGEM DISPON&Iacute;VEL PARA RCC ZERADA NA DATA DA CONTRATA&Ccedil;&Atilde;O E O STATUS "READEQUA&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL" ASSOCIADO AO CONTRATO, ELEMENTOS QUE, EM COGNI&Ccedil;&Atilde;O SUM&Aacute;RIA, CONFEREM PLAUSIBILIDADE &Agrave; NARRATIVA DO AGRAVADO. 2. A DEMORA NO AJUIZAMENTO N&Atilde;O AFASTA O PERIGO DE DANO, POIS OS DESCONTOS MENSAIS SOBRE BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DE NATUREZA ALIMENTAR CONFIGURAM LES&Atilde;O CONT&Iacute;NUA E RENOVADA A CADA COMPET&Ecirc;NCIA, DISTINTA DO DANO &Uacute;NICO J&Aacute; CONSOLIDADO. 3. A PONDERA&Ccedil;&Atilde;O BILATERAL DOS RISCOS DE IRREVERSIBILIDADE FAVORECE A MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DA TUTELA: A EVENTUAL PROCED&Ecirc;NCIA DA DEMANDA DA AGRAVANTE PERMITE A RETOMADA DOS DESCONTOS OU A COBRAN&Ccedil;A DO SALDO POR OUTRAS VIAS, AO PASSO QUE A MANUTEN&Ccedil;&Atilde;O DOS DESCONTOS SOBRE VERBA ALIMENTAR DE PESSOA IDOSA GERA PREJU&Iacute;ZO DE DIF&Iacute;CIL REPARA&Ccedil;&Atilde;O. 4. A AFETA&Ccedil;&Atilde;O DO TEMA 1.414 DO STJ N&Atilde;O VEDA A CONCESS&Atilde;O DE TUTELAS URGENTES DURANTE O SOBRESTAMENTO: O ART. 1.037, &sect; 9&ordm;, DO CPC PRESERVA EXPRESSAMENTE A PR&Aacute;TICA DE ATOS URGENTES PARA EVITAR DANO IRREPAR&Aacute;VEL, E A MEDIDA DEFERIDA N&Atilde;O RESOLVE A TESE JUR&Iacute;DICA SUBMETIDA AO RITO DOS REPETITIVOS, APENAS PRESERVA O PATRIM&Ocirc;NIO ALIMENTAR DO AGRAVADO ENQUANTO SE AGUARDA A DEFINI&Ccedil;&Atilde;O DO PRECEDENTE QUALIFICADO. 5. A IMPRECIS&Atilde;O TERMINOL&Oacute;GICA DA DECIS&Atilde;O DE ORIGEM ENTRE RMC E RCC N&Atilde;O AUTORIZA A REVOGA&Ccedil;&Atilde;O DA TUTELA, DEVENDO EVENTUAL INTEGRA&Ccedil;&Atilde;O DO COMANDO DECIS&Oacute;RIO QUANTO &Agrave;S RUBRICAS ABRANGIDAS SER REALIZADA PELO JU&Iacute;ZO DE ORIGEM NA FASE DE CUMPRIMENTO.</p> <p><strong>IV. DISPOSITIVO E TESE:</strong> 1. RECURSO DESPROVIDO. TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA MANTIDA. <em>TESE DE JULGAMENTO:</em> 1. A DEMORA NO AJUIZAMENTO N&Atilde;O AFASTA O PERIGO DE DANO QUANDO OS DESCONTOS INCIDEM MENSALMENTE SOBRE BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DE NATUREZA ALIMENTAR, POIS A LES&Atilde;O &Eacute; CONT&Iacute;NUA E SE RENOVA A CADA COMPET&Ecirc;NCIA. 2. A AFETA&Ccedil;&Atilde;O DE RECURSO ESPECIAL SOB O RITO DOS REPETITIVOS N&Atilde;O IMPEDE A CONCESS&Atilde;O DE TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA PARA EVITAR DANO IRREPAR&Aacute;VEL A CONSUMIDOR HIPERVULNER&Aacute;VEL, NOS TERMOS DO ART. 1.037, &sect; 9&ordm;, DO CPC.</p> <p>___________ <em>DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS:</em> CDC, ART. 6&ordm;, INC. VIII; CPC/2015, ARTS. 300, 300 &sect; 3&ordm;, 932 INC. VIII, 1.037 &sect; 9&ordm;. <em>JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA:</em> STJ, TEMA 1.414 (RESP 2.224.599/PE); TJRS, AGRAVO DE INSTRUMENTO N&ordm; 5227850-**.2026.8.21.****, D&Eacute;CIMA PRIMEIRA C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL, REL. LUIS ANTONIO BEHRENSDORF GOMES DA SILVA, J. 28-07-2026; TJRS, AGRAVO DE INSTRUMENTO N&ordm; 5235123-**.2026.8.21.****, D&Eacute;CIMA PRIMEIRA C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL, REL. MARIA INES CLARAZ DE SOUZA LINCK, J. 20-07-2026.</p></section> <section> <p align="center">DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA</p> </section> <section> <p>Trata-se de agravo de instrumento interposto por Facta Financeira S.A. Cr&eacute;dito, Financiamento e Investimento contra a decis&atilde;o da 3&ordf; Vara C&iacute;vel da Comarca de Gua&iacute;ba que deferiu tutela antecipada para suspender os descontos relacionados ao contrato de cart&atilde;o consignado de benef&iacute;cio (RCC), averbados no benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio de Jo&atilde;o Enio da Silva, sob pena de multa em caso de descumprimento.</p> <p>Transcrevo a decis&atilde;o ora agravada (<span>evento 4, DESPADEC1</span>):</p> <p>Recebo a inicial.</p> <p><strong>1. Da assist&ecirc;ncia judici&aacute;ria gratuita</strong></p> <p><strong>Defiro&nbsp;o benef&iacute;cio da gratuidade ao demandante</strong>.&nbsp;Isso porque, ao compulsar a&nbsp;documenta&ccedil;&atilde;o acostada para instruir o pedido de concess&atilde;o da gratuidade, observo que os proventos auferidos pelo demandante, no caso concreto, n&atilde;o s&atilde;o incompat&iacute;veis com o deferimento da benesse, considerando, ainda, o entendimento recentemente firmado pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a no julgamento do Tema&nbsp;1178&nbsp;(<span>evento 1, COMP6</span>&nbsp;e&nbsp;<span>evento 1, COMP7</span>).</p> <p>Nesse sentido:</p> <p>DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTI&Ccedil;A.&nbsp;TEMA&nbsp;1178&nbsp;DO STJ. COMPROMETIMENTO SUBSTANCIAL DA RENDA. PROVIMENTO DO RECURSO. I. CASO EM EXAME: 1. Agravo de instrumento interposto contra decis&atilde;o interlocut&oacute;ria que indeferiu o pedido de concess&atilde;o da gratuidade judici&aacute;ria nos autos da a&ccedil;&atilde;o de tutela cautelar antecedente ajuizada em face de institui&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria e entidade de previd&ecirc;ncia privada. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O: 1. A quest&atilde;o em discuss&atilde;o consiste na possibilidade de concess&atilde;o do benef&iacute;cio da gratuidade da justi&ccedil;a ao agravante, considerando sua situa&ccedil;&atilde;o financeira concreta. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR:&nbsp;1. A concess&atilde;o da gratuidade da justi&ccedil;a deve ser analisada &agrave; luz das circunst&acirc;ncias concretas do caso, n&atilde;o podendo ser indeferida automaticamente com base apenas em crit&eacute;rios objetivos, conforme entendimento firmado pelo STJ no&nbsp;Tema&nbsp;1178&nbsp;dos recursos repetitivos.&nbsp;2. Embora a renda bruta do agravante supere o patamar de cinco sal&aacute;rios m&iacute;nimos usualmente adotado como par&acirc;metro para a concess&atilde;o da gratuidade, a an&aacute;lise global de sua situa&ccedil;&atilde;o financeira demonstra comprometimento substancial de seus rendimentos. 3. Os expressivos descontos em folha decorrentes de diversos empr&eacute;stimos consignados, somados &agrave;s despesas com terapias especializadas e recursos necess&aacute;rios ao tratamento de sa&uacute;de de seu filho menor, indicam a insufici&ecirc;ncia de recursos para arcar com as custas processuais.&nbsp;4. O indeferimento do benef&iacute;cio, neste caso, implicaria preju&iacute;zo &agrave; subsist&ecirc;ncia do agravante e configuraria obst&aacute;culo ao exerc&iacute;cio do direito constitucional de acesso &agrave; justi&ccedil;a, sem preju&iacute;zo de a a parte r&eacute;, se assim entender, apresentar oportuna impugna&ccedil;&atilde;o ao benef&iacute;cio, produzindo as provas pertinentes.&nbsp;IV. DISPOSITIVO E TESE: 1. Recurso provido para conceder o benef&iacute;cio da gratuidade de justi&ccedil;a &agrave; parte agravante. Tese de julgamento: 1. A concess&atilde;o da gratuidade da justi&ccedil;a deve considerar as circunst&acirc;ncias concretas do caso, sendo poss&iacute;vel o deferimento mesmo quando a renda bruta supera o par&acirc;metro objetivo, desde que comprovado o comprometimento substancial dos rendimentos com despesas essenciais. ___________Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5&ordm;, LXXIV; CPC/2015, arts. 98, 99, &sect; 2&ordm;. Jurisprud&ecirc;ncia relevante citada: STJ,&nbsp;Tema&nbsp;1178; TJRS, Agravo de Instrumento, N&ordm; 5013693-**.2024.8.21.****, D&eacute;cima Oitava C&acirc;mara C&iacute;vel, Relator: Jo&atilde;o Moreno Pomar, Julgado em: 27-01-2024; TJRS, Agravo de Instrumento, N&ordm; 5367208-**.2023.8.21.****, D&eacute;cima Oitava C&acirc;mara C&iacute;vel, Relator: Pedro Celso Dal Pra, Julgado em: 19-12-2023. (Agravo de Instrumento, N&ordm; 5040744-**.2026.8.21.****, D&eacute;cima Oitava C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Andre Guidi Colossi, Julgado em: 02-03-2026).</p> <p><strong>2. Da invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova</strong></p> <p>Desde j&aacute;,&nbsp;<strong>defiro a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova em favor da parte autora</strong>, uma vez caracterizada a hipossufici&ecirc;ncia da parte consumidora-autora, relacionada &agrave; vulnerabilidade f&aacute;tica, t&eacute;cnica e jur&iacute;dica, com fulcro no artigo 6&deg;, inciso VIII, do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor.&nbsp;</p> <p><strong>3. Da tutela antecipada em car&aacute;ter liminar</strong></p> <p>Relata a parte demandante que h&aacute; v&iacute;cio de consentimento na contrata&ccedil;&atilde;o celebrada com o demandado. Al&eacute;m disso, o autor afirma ter sido surpreendido com a portabilidade de seu empr&eacute;stimo consignado para o banco r&eacute;u, realizada sem qualquer anu&ecirc;ncia.</p> <p>Relatado brevemente. Passo a decidir.</p> <p>Com efeito, para concess&atilde;o da medida antecipat&oacute;ria da tutela, na modalidade de urg&ecirc;ncia, faz-se necess&aacute;ria a presen&ccedil;a dos seguintes requisitos cumulativos: (I) elementos que evidenciem a&nbsp;<strong>probabilidade do direito</strong>&nbsp;e (II) o&nbsp;<strong>perigo de dano</strong>&nbsp;ou o risco ao resultado &uacute;til do processo, a teor do artigo 300 do C&oacute;digo de Processo Civil.</p> <p>Sobre a nulidade do Contrato de Cart&atilde;o de Cr&eacute;dito com Reserva de Margem Consign&aacute;vel (<strong>RMC</strong>) por inobserv&acirc;ncia ao dever de informa&ccedil;&atilde;o, e possibilidade de convers&atilde;o deste em Contrato de Empr&eacute;stimo Consignado, j&aacute; proveu o Eg. Tribunal de Justi&ccedil;a deste Estado em casos an&aacute;logos:&nbsp;</p> <p>APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA CUMULADA COM REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO E INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS DECORRENTE DE ATO IL&Iacute;CITO. CONTRATO DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL (<strong>RMC</strong>) EM BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DO RGPS/INSS. JULGAMENTO ESTENDIDO DO ART. 942 DO CPC. RETIFICA&Ccedil;&Atilde;O DO VOTO DO RELATOR EM CONSON&Acirc;NCIA COM A NOVA JURISPRUD&Ecirc;NCIA UNIFORMIZADA DA 11&ordf; C&Acirc;MARA C&Iacute;VEL DO TJRS NA MAT&Eacute;RIA. 1. CONTRATO ADESIVO DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL (<strong>RMC</strong>) COM RENEGOCIA&Ccedil;&Otilde;ES SUCESSIVAS, EM BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DO RGPS/INSS. VIOLA&Ccedil;&Atilde;O DO DEVER DE INFORMA&Ccedil;&Atilde;O DA INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA. INDU&Ccedil;&Atilde;O DO CONSUMIDOR EM ERRO. ABUSO DE DIREITO DA INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA E EXCESSO DE ONEROSIDADE DO CONTRATO FIRMADO. NULIDADE ABSOLUTA COM EFIC&Aacute;CIA EX TUNC. No caso, o neg&oacute;cio de consumo adesivo de consumo (STJ, S&uacute;mula 297) padece de nulidade absoluta com efic&aacute;cia ex tunc, pois a institui&ccedil;&atilde;o financeira-r&eacute; violou o seu dever de informa&ccedil;&atilde;o &agrave; parte contratante aderente, induzindo-a em erro na fase pr&eacute;-pactual e compelindo-a a firmar contrato de cart&atilde;o de cr&eacute;dito com reserva de margem consign&aacute;vel (<strong>RMC</strong>), com encargos financeiros e funcionalidade de extrema gravosidade do que os do contrato de empr&eacute;stimo consignado simples por ela pretendido. Caracteriza&ccedil;&atilde;o de abuso de direito da institui&ccedil;&atilde;o financeira e excesso de onerosidade do contrato firmado. 2. CONVERS&Atilde;O, SANEAMENTO E RECONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DA AVEN&Ccedil;A VICIADA EM CONTRATO DE EMPR&Eacute;STIMO CONSIGNADO SIMPLES. Violadas as regras mandat&oacute;rias inscritas nos artigos 6&ordm;, incisos III, IV, V e VI, 14, &sect;&sect; 1&ordm;, inc. II, e 3&ordm;, 39, incisos IV e V, e 51, caput, inc. IV, e &sect; 2&ordm;, do CDC/1990, combinado - em di&aacute;logo de fontes normativas - com o enunciado tamb&eacute;m cogente do art. 170 do CC/2002, com fundamento nos princ&iacute;pios de preserva&ccedil;&atilde;o, saneamento e convers&atilde;o dos neg&oacute;cios jur&iacute;dicos adesivos de consumo, a aven&ccedil;a viciada &eacute; convertida, com efic&aacute;cia ex tunc, em contrato de empr&eacute;stimo consignado simples no benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio auferido pela parte autora junto ao RGPS/INSS, para todos os efeitos legais. 3. SANEAMENTO E RECONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO CONTRATO CONVERTIDO. APLICA&Ccedil;&Atilde;O DO PRINC&Iacute;PIO DA CONGRU&Ecirc;NCIA OU ADSTRI&Ccedil;&Atilde;O PETIT&Oacute;RIA. Convertida e saneada a contrata&ccedil;&atilde;o sub judice, sobre a quantia efetiva disponibilizada &agrave; parte aderente deve incidir a taxa m&eacute;dia de juros publicizada pelo BACEN, na data do contrato, em cluster de consignado para aposentado/pensionista do RGPS/INSS, de 2,10% ao m&ecirc;s e 25,20% ao ano (CET), vedada a capitaliza&ccedil;&atilde;o (art. 13, inc. II, da IN-INSS/PRES n&ordm; 28/2008, na reda&ccedil;&atilde;o que lhe deu a IN-INSS/PRES n&ordm; 80/2015, DOU de 17/8/2015), a ser paga em 72 parcelas mensais consecutivas, na forma do art. 13, inc. I, da IN-INSS/PRES n&ordm; 28//2008, na reda&ccedil;&atilde;o que lhe deu a IN-INSS/PRES n&ordm; 80/2015 (DOU de 17/8/2015). 4. REPETI&Ccedil;&Atilde;O DO IND&Eacute;BITO SIMPLES. COMPENSA&Ccedil;&Atilde;O QUANTUM SATIS AUTOM&Aacute;TICA COM AS PARCELAS LINEARES REVISADAS VENCIDAS. Recalculado o valor linear das parcelas mensais - vencidas e vincendas - do contrato convertido, as quantias pagas a maior dever&atilde;o ser objeto de repeti&ccedil;&atilde;o do ind&eacute;bito simples, todavia com compensa&ccedil;&atilde;o quantum satis autom&aacute;tica sobre as parcelas mensais revisadas vencidas. Sobre o valor a ser restitu&iacute;do, incidir&aacute; corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria pelo IGP-M/FGV, a partir da data de cada pagamento indevido, e juros morat&oacute;rios de 1% ao m&ecirc;s, a partir da cita&ccedil;&atilde;o (artigos 405 do CC/2002 e 240 do CPC/2015). 5. INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANO MORAL IN RE IPSA. Condena&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o financeira ao pagamento de indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral in re ipsa, arbitrado em quantum de acordo com o standard jurisprudencial aplic&aacute;vel &agrave; esp&eacute;cie na 11&ordf; C&acirc;mara C&iacute;vel do TJRS. Quantum indenizat&oacute;rio por dano moral com corre&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria pelo IGP-M/FGV, a partir da data do presente julgamento (S&uacute;mula 362 do STJ ), e juros morat&oacute;rios de 1% ao m&ecirc;s, a contar da cita&ccedil;&atilde;o (art. 405 do CC). 6. DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O DOS &Ocirc;NUS DE SUCUMB&Ecirc;NCIA. Quanto aos &ocirc;nus de sucumb&ecirc;ncia, institui&ccedil;&atilde;o financeira-r&eacute; condenada ao pagamento integral das despesas processuais, em face de decaimento m&iacute;nimo da parte autora, aplic&aacute;vel &agrave; esp&eacute;cie, no que couber, a S&uacute;mula, verbete 326, do STJ. 7. HONOR&Aacute;RIA ADVOCAT&Iacute;CIA DE SUCUMB&Ecirc;NCIA. Por fim, em aten&ccedil;&atilde;o ao art. 85, caput, e &sect; 2&ordm;, do CPC, condena&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o financeira-r&eacute; ao pagamento de honor&aacute;rios de sucumb&ecirc;ncia aos procuradores ad judicia da parte autora, arbitrados em 15% sobre o valor total atualizado da condena&ccedil;&atilde;o. EM JULGAMENTO ESTENDIDO, RECURSO PROVIDO EM PARTE, POR MAIORIA. M/AC 3.799 &ndash; S 27.05.2020 &ndash; S 22.9.2020 - P 10 (Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel, N&ordm; ***.***.***-**, D&eacute;cima Primeira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Aymor&eacute; Roque Pottes de Mello, Julgado em: 29-09-2020)</p> <p>Ademais, a natureza da contrata&ccedil;&atilde;o autoriza a concess&atilde;o de tutela de urg&ecirc;ncia, pois os descontos em valores superestimados implicam danos de dif&iacute;cil repara&ccedil;&atilde;o &agrave; demandante, dado o car&aacute;ter alimentar do benef&iacute;cio sobre o qual incidem.</p> <p>Todavia, entendo tamb&eacute;m que a suspens&atilde;o pura e simples dos descontos causa &ocirc;nus demasiado &agrave; demandada, que ficaria privada de qualquer contrapresta&ccedil;&atilde;o pelo cr&eacute;dito concedido.&nbsp;</p> <p>Posto isso, com base no artigo 300 do C&oacute;digo de Processo Civil,&nbsp;<strong>defiro a tutela de urg&ecirc;ncia</strong>, ao efeito de suspender os descontos do contrato ora discutido, envolvendo a reserva de margem consign&aacute;vel da parte autora. Concedo 30 (trinta) dias de prazo ao r&eacute;u para apresentar planilha de c&aacute;lculo com discrimina&ccedil;&atilde;o dos valores pagos at&eacute; o momento e eventual saldo remanescente da d&iacute;vida, apurado com base na modalidade de empr&eacute;stimo banc&aacute;rio consignado - INSS. Fica autorizada a cobran&ccedil;a do eventual saldo devedor em tantas parcelas mensais quantas restariam para liquidar o contrato em curso.&nbsp;</p> <p></p> <p></p> <p><strong>4. &nbsp;Suspens&atilde;o TEMA 1.414 do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a:</strong></p> <p>A mat&eacute;ria em discuss&atilde;o &mdash; validade e abusividade de contratos de cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado &mdash; &eacute; objeto de an&aacute;lise pelo Superior Tribunal de Justi&ccedil;a no Tema 1.414 dos recursos repetitivos (REsp 2.224.599/PE e outros), que determinou a suspens&atilde;o nacional de todos os processos, individuais ou coletivos, que versem sobre a mesma quest&atilde;o.</p> <p>Pelo exposto, em conformidade com a determina&ccedil;&atilde;o do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, DETERMINO A SUSPENS&Atilde;O do presente processo at&eacute; o julgamento definitivo do Tema 1.414.</p> <p>Proceda a Secretaria ao registro da suspens&atilde;o no sistema.</p> <p>Ap&oacute;s o julgamento do referido tema, retornem os autos conclusos para o prosseguimento do feito, com a delibera&ccedil;&atilde;o sobre a cita&ccedil;&atilde;o e demais atos processuais.</p> <p>Em suas raz&otilde;es (<span>evento 1, INIC1</span>) a agravante sustentou que a tutela foi concedida sem elementos m&iacute;nimos de prova, a partir de mera alega&ccedil;&atilde;o unilateral da agravada, sem que a agravante apresentasse os documentos t&eacute;cnicos de formaliza&ccedil;&atilde;o digital da contrata&ccedil;&atilde;o, e que a decis&atilde;o partiu de um salto l&oacute;gico ao presumir a ilicitude dos descontos sem qualquer base concreta, em ofensa ao art. 300 do CPC. Apontou que os descontos foram indicados pela pr&oacute;pria inicial como iniciados em julho de 2022, com &uacute;ltimo desconto registrado em junho de 2026, sendo a tutela deferida em 05/03/2026, o que evidencia aus&ecirc;ncia de urg&ecirc;ncia contempor&acirc;nea, j&aacute; que n&atilde;o se demonstrou fato novo apto a justificar a medida ap&oacute;s longo per&iacute;odo de suporte dos descontos. Argumentou que a suspens&atilde;o dos descontos produz efeito material satisfativo equivalente ao pr&oacute;prio provimento final, com risco de recomposi&ccedil;&atilde;o invi&aacute;vel do per&iacute;odo suspenso em raz&atilde;o da natureza din&acirc;mica e limitada da margem consign&aacute;vel. Sustentou que a peti&ccedil;&atilde;o inicial delimitou o objeto como descontos referentes &agrave; RCC (rubricas 268/383), ao passo que a decis&atilde;o agravada menciona "cart&atilde;o de cr&eacute;dito consignado" e determina a suspens&atilde;o de descontos "a t&iacute;tulo de RMC", gerando imprecis&atilde;o no cumprimento e risco de responsabiliza&ccedil;&atilde;o por descumprimento de ordem amb&iacute;gua. Argumentou que a controv&eacute;rsia se insere no objeto da afeta&ccedil;&atilde;o repetitiva, de modo que a ordem de suspens&atilde;o nacional prevista no art. 1.037, II, do CPC exige cautela refor&ccedil;ada e veda, como regra, a concess&atilde;o de tutelas satisfativas que antecipem o resultado do m&eacute;rito antes da defini&ccedil;&atilde;o do precedente qualificado, sob pena de criar fatos consumados e esvaziar o prop&oacute;sito do regime dos repetitivos. Quanto &agrave; invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova, admitida em tese pelo CDC (art. 6&ordm;, VIII), sustenta que ela n&atilde;o pode funcionar como dispensa de prova m&iacute;nima do fato constitutivo em sede liminar, nem autorizar tutela satisfativa sem base, conforme tamb&eacute;m exige o art. 373, I, do CPC. Afirmou&nbsp;que os documentos a serem apresentados demonstrariam a observ&acirc;ncia do dever de informa&ccedil;&atilde;o (art. 6&ordm;, III, do CDC), da boa-f&eacute; objetiva e da transpar&ecirc;ncia contratual, mediante termo de consentimento esclarecido assinado pelo consumidor, declara&ccedil;&atilde;o expressa sobre a natureza do produto, aus&ecirc;ncia de margem consign&aacute;vel dispon&iacute;vel para empr&eacute;stimo pessoal, identifica&ccedil;&atilde;o do produto no cabe&ccedil;alho do contrato e valida&ccedil;&atilde;o por assinatura digital com hash, biometria facial e geolocaliza&ccedil;&atilde;o. Requereu a concess&atilde;o de efeito suspensivo com fundamento no art. 1.019, I, do CPC, para restabelecer imediatamente os descontos at&eacute; o julgamento do recurso, ou, subsidiariamente, a substitui&ccedil;&atilde;o da medida por dep&oacute;sito judicial dos valores controvertidos, al&eacute;m de requerer, ao final, o provimento do agravo para revogar a tutela de urg&ecirc;ncia concedida, a restri&ccedil;&atilde;o da invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova e a precis&atilde;o do comando quanto &agrave; rubrica e ao alcance da decis&atilde;o.</p> <p>&Eacute; o relat&oacute;rio. Passo a decidir.</p> <p>Inicialmente, consigno que cabe ao&nbsp;Relator dar ou negar provimento ao recurso interposto&nbsp;do feito por decis&atilde;o monocr&aacute;tica, nos casos em que houver jurisprud&ecirc;ncia dominante acerca da mat&eacute;ria no &acirc;mbito das Cortes Superiores e do pr&oacute;prio Tribunal de Justi&ccedil;a.</p> <p>Com efeito, como o caso em concreto se amolda &agrave; hip&oacute;tese acima mencionada, passo ao pronunciamento de forma monocr&aacute;tica, conforme preceituam os artigos 932, inciso VIII, do CPC e do artigo 206, inciso XXXVI, do RITJRS.</p> <p>O recurso &eacute; tempestivo, est&aacute; devidamente preparado (evento 05) e versa sobre tutela provis&oacute;ria, hip&oacute;tese prevista no art. 1.015, I, do CPC.</p> <p>A controv&eacute;rsia recursal limita-se a verificar se a tutela de urg&ecirc;ncia deferida na origem reunia, ao tempo de sua concess&atilde;o, os requisitos do art. 300 do CPC, e se os fundamentos apresentados pela agravante justificam sua revoga&ccedil;&atilde;o neste momento.</p> <p><strong>Probabilidade do direito</strong></p> <p>A agravante sustenta que a tutela foi concedida sem probabilidade do direito, com base exclusivamente na narrativa unilateral de n&atilde;o autoriza&ccedil;&atilde;o do contrato.</p> <p>A tese, contudo, n&atilde;o procede.</p> <p>O agravado, Jo&atilde;o Enio da Silva, ajuizou a&ccedil;&atilde;o declarat&oacute;ria afirmando a exist&ecirc;ncia de descontos n&atilde;o autorizados em seu benef&iacute;cio de aposentadoria por invalidez (esp&eacute;cie 32, benef&iacute;cio n. 6235201994), associados &agrave; contrata&ccedil;&atilde;o de cart&atilde;o consignado de benef&iacute;cio. Trata-se de benefici&aacute;rio do INSS, nascido em 13/10/1959, portanto com mais de 65 anos &agrave; &eacute;poca da contrata&ccedil;&atilde;o, enquadrado como consumidor hipervulner&aacute;vel pela conjuga&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de idoso e de segurado do INSS.</p> <p>A an&aacute;lise dos documentos apresentados pela pr&oacute;pria agravante demonstra alguns dados relevantes para o exame da probabilidade do direito em cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria. O comprovante de consulta ao INSS, obtido em 20/07/2022, indica que, na data da contrata&ccedil;&atilde;o, a margem dispon&iacute;vel para RCC era de R$ 0,00, o limite de cart&atilde;o estava em R$ 2.480,49 e n&atilde;o havia margem dispon&iacute;vel, nem margem dispon&iacute;vel RCC, nem margem dispon&iacute;vel para cart&atilde;o (<span>evento 1, ANEXO8</span>). Al&eacute;m disso, o comprovante de formaliza&ccedil;&atilde;o digital registra o status "READEQUA&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL" associado ao contrato ***.***.***-**, dado que, em cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, integra o contexto de questionamentos relacionados &agrave; opera&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;a a plausibilidade da narrativa do agravado (<span>evento 1, ANEXO4</span>).</p> <p>Esses elementos, em cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, conferem plausibilidade &agrave; narrativa do agravado. A exist&ecirc;ncia de descontos reiterados em benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio de pessoa idosa, em contexto de margem zerada e sob contrato que ostenta o referido status, s&atilde;o dados objetivos aptos a sustentar a probabilidade do direito para fins de tutela de urg&ecirc;ncia.</p> <p>A agravante, &eacute; certo, apresentou documenta&ccedil;&atilde;o extensa sobre o processo de contrata&ccedil;&atilde;o, incluindo trilha de acesso, hash de assinatura, valida&ccedil;&atilde;o biom&eacute;trica com 99% de assertividade e geolocaliza&ccedil;&atilde;o (<span>evento 1, ANEXO9</span>). No entanto, essa documenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o afasta a probabilidade do direito do agravado em sede de cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria; ao contr&aacute;rio, torna a controv&eacute;rsia factual e t&eacute;cnica, o que imp&otilde;e instru&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria adequada. A quest&atilde;o de saber se o agravado compreendeu a natureza da opera&ccedil;&atilde;o, se houve v&iacute;cio de consentimento e se o produto contratado era realmente o desejado exige dila&ccedil;&atilde;o probat&oacute;ria incompat&iacute;vel com essa fase processual.</p> <p>Nesse ponto, a invers&atilde;o do &ocirc;nus da prova deferida pelo ju&iacute;zo de origem tamb&eacute;m encontra fundamento no art. 6&ordm;, VIII, do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, dado que a rela&ccedil;&atilde;o &eacute; tipicamente consumerista e a hipossufici&ecirc;ncia t&eacute;cnica do benefici&aacute;rio do INSS diante da institui&ccedil;&atilde;o financeira &eacute; presum&iacute;vel. A invers&atilde;o, registre-se, n&atilde;o &eacute; autom&aacute;tica nem equivale a dispensa de toda prova, mas opera precisamente para equilibrar a desigualdade t&eacute;cnica e informacional entre as partes.</p> <p>Dessa forma, a probabilidade do direito estava presente no momento da concess&atilde;o da tutela, e n&atilde;o h&aacute; elementos novos que justifiquem sua revoga&ccedil;&atilde;o.</p> <p><strong>Perigo de dano e da urg&ecirc;ncia</strong></p> <p>A agravante argumenta que o longo intervalo entre o in&iacute;cio dos descontos (07/2022) e o ajuizamento da a&ccedil;&atilde;o (2026) afasta o perigo de dano contempor&acirc;neo exigido pelo art. 300 do CPC.</p> <p>O argumento n&atilde;o se sustenta no caso concreto.</p> <p>O benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio ostenta car&aacute;ter alimentar. Os descontos mensais relacionados ao contrato de RCC, incidentes sobre o benef&iacute;cio de aposentadoria por invalidez do agravado, comprometem a renda dispon&iacute;vel para subsist&ecirc;ncia de pessoa idosa de forma direta e cont&iacute;nua. O dano, nessa esp&eacute;cie de rela&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; pontual: ele se renova a cada compet&ecirc;ncia, de modo que a ina&ccedil;&atilde;o anterior n&atilde;o converte o preju&iacute;zo atual em toler&aacute;vel.</p> <p>&Eacute; verdade que a demora no ajuizamento pode enfraquecer a urg&ecirc;ncia em determinados casos. Entretanto, essa conclus&atilde;o pressup&otilde;e a aus&ecirc;ncia de um dano cont&iacute;nuo e progressivo. Quando os descontos s&atilde;o mensais e reiterados sobre verba alimentar, cada novo desconto configura, por si mesmo, um evento danoso contempor&acirc;neo ao ajuizamento. A hip&oacute;tese dos autos &eacute; distinta daquela em que o dano &eacute; &uacute;nico e j&aacute; consolidado: aqui, a cada m&ecirc;s sem a tutela, a les&atilde;o se perpetua.</p> <p>Portanto, o requisito do perigo de dano estava presente ao tempo da concess&atilde;o da medida e permanece presente, o que afasta a pretens&atilde;o de revoga&ccedil;&atilde;o da tutela sob esse fundamento.</p> <p>A agravante sustenta que a suspens&atilde;o dos descontos implica perigo de irreversibilidade, pois a margem consign&aacute;vel &eacute; din&acirc;mica e pode ser consumida durante o per&iacute;odo de suspens&atilde;o, inviabilizando a posterior recomposi&ccedil;&atilde;o.</p> <p>O argumento merece pondera&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &eacute; suficiente para revogar a tutela.</p> <p>O risco de irreversibilidade previsto no art. 300, &sect; 3&ordm;, do CPC deve ser avaliado bilateralmente. Se, por um lado, a suspens&atilde;o dos descontos pode gerar dificuldades para a retomada futura das consigna&ccedil;&otilde;es pela agravante, por outro lado, a manuten&ccedil;&atilde;o dos descontos sobre a verba alimentar do agravado pode causar preju&iacute;zo de dif&iacute;cil repara&ccedil;&atilde;o a quem depende exclusivamente desse benef&iacute;cio para sobreviver. A pondera&ccedil;&atilde;o dos riscos favorece a manuten&ccedil;&atilde;o da tutela: eventual proced&ecirc;ncia final da demanda da agravante permitir&aacute; a retomada dos descontos ou a cobran&ccedil;a do saldo devedor por outras vias; j&aacute; o desconto cont&iacute;nuo sobre benef&iacute;cio alimentar de pessoa idosa, caso a demanda seja julgada improcedente, gerar&aacute; preju&iacute;zo patrimonial de dif&iacute;cil recomposi&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Quanto ao chamado "perigo inverso", a agravante indica impacto em sua receita e poss&iacute;vel efeito multiplicador, dado o volume de a&ccedil;&otilde;es semelhantes na comarca. Esses argumentos dizem respeito a interesses institucionais da empresa e &agrave; gest&atilde;o de seu portf&oacute;lio de contratos, n&atilde;o ao caso concreto do agravado. A tutela de urg&ecirc;ncia &eacute; individual e examina a situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica da parte requerente, n&atilde;o as consequ&ecirc;ncias sist&ecirc;micas para a institui&ccedil;&atilde;o financeira.</p> <p>A agravante aponta que a decis&atilde;o de origem teria gerado confus&atilde;o entre RMC e RCC ao descrever o produto e ao formular o comando de suspens&atilde;o.</p> <p>Ainda que se reconhe&ccedil;a que a decis&atilde;o de origem utilizou terminologia imprecisa ao descrever a natureza da opera&ccedil;&atilde;o, essa circunst&acirc;ncia n&atilde;o autoriza a revoga&ccedil;&atilde;o da tutela. O objeto da demanda foi delimitado pela peti&ccedil;&atilde;o inicial do agravado com refer&ecirc;ncia &agrave;s rubricas de desconto vinculadas ao contrato de cart&atilde;o consignado de benef&iacute;cio. A decis&atilde;o deve ser interpretada em conson&acirc;ncia com o pedido formulado, de modo que eventual imprecis&atilde;o terminol&oacute;gica pode ser sanada na fase de cumprimento, competindo ao ju&iacute;zo de origem, se necess&aacute;rio, integrar o comando decis&oacute;rio para definir com precis&atilde;o as rubricas abrangidas.</p> <p>&nbsp;<strong>Tema 1.414 do STJ</strong></p> <p>A agravante invoca a afeta&ccedil;&atilde;o do Tema 1.414 do STJ para argumentar que a suspens&atilde;o de processos imp&otilde;e cautela redobrada e veda a concess&atilde;o de tutelas satisfativas.</p> <p>A premissa &eacute; parcialmente correta, mas a conclus&atilde;o que dela se pretende extrair n&atilde;o se aplica ao caso concreto.</p> <p>A ordem de suspens&atilde;o decorrente da afeta&ccedil;&atilde;o em recursos repetitivos destina-se ao sobrestamento do processamento dos feitos, n&atilde;o &agrave; veda&ccedil;&atilde;o absoluta de tutelas urgentes. O art. 1.037, &sect; 9&ordm;, do CPC preserva expressamente a possibilidade de pr&aacute;tica de atos urgentes para evitar dano irrepar&aacute;vel. No caso, a tutela deferida tem por finalidade exatamente isso: evitar a continuidade de descontos sobre benef&iacute;cio alimentar enquanto se aguarda a defini&ccedil;&atilde;o do precedente qualificado.</p> <p>A agravante sustenta que a suspens&atilde;o dos descontos configura tutela satisfativa, pois entregaria desde logo o resultado &uacute;til da demanda. O argumento tem consist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e merece ser enfrentado. Ainda que a medida produza efeito com conte&uacute;do satisfativo, a admissibilidade de tutelas urgentes durante o sobrestamento n&atilde;o &eacute; vedada quando presentes os requisitos do art. 300 do CPC e quando a manuten&ccedil;&atilde;o dos descontos sobre verba de natureza alimentar for capaz de causar dano de dif&iacute;cil repara&ccedil;&atilde;o ao consumidor vulner&aacute;vel. A tutela deferida n&atilde;o resolve a tese jur&iacute;dica submetida ao rito dos repetitivos, n&atilde;o define a validade da contrata&ccedil;&atilde;o de RCC nem os limites do dever de informa&ccedil;&atilde;o; ela apenas preserva o patrim&ocirc;nio alimentar do agravado enquanto se aguarda essa defini&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, a medida n&atilde;o esvazia o objeto do recurso repetitivo nem contraria a l&oacute;gica da uniformiza&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Nesse sentido, cito precedente desta C&acirc;mara:</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA DE INEXIST&Ecirc;NCIA DE D&Eacute;BITO C/C REVISIONAL, REPETI&Ccedil;&Atilde;O DE IND&Eacute;BITO E DANOS MORAIS. CONTRATO DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO (<em>RCC</em>).&nbsp;<em>TUTELA</em>&nbsp;DE URG&Ecirc;NCIA. DECIS&Atilde;O QUE DEFERIU&nbsp;<em>TUTELA</em>&nbsp;DE URG&Ecirc;NCIA PARA SUSPENDER OS DESCONTOS INCIDENTES NO BENEF&Iacute;CIO PREVIDENCI&Aacute;RIO DO AUTOR, ORIGIN&Aacute;RIOS DE CONTRATOS DE EMPR&Eacute;STIMO CONSIGNADO (REFINANCIAMENTO) E DE CART&Atilde;O DE CR&Eacute;DITO CONSIGNADO (<em>RCC</em>), SOB O FUNDAMENTO DE IND&Iacute;CIOS DE ABUSIVIDADE E COMPROMETIMENTO DA SUBSIST&Ecirc;NCIA DO CONSUMIDOR. <span>PRESENTE A PROBABILIDADE DO DIREITO. ART. 300 DO CPC. PRECEDENTES DESTA CORTE. ALEGA&Ccedil;&Atilde;O DE QUE O LONGO PER&Iacute;ODO DE DESCONTOS AFASTARIA A URG&Ecirc;NCIA N&Atilde;O SE SUSTENTA, POIS O DANO &Eacute; CONT&Iacute;NUO E SE RENOVA A CADA M&Ecirc;S, AGRAVANDO A SITUA&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA DO CONSUMIDOR. DA MESMA FORMA, A DETERMINA&Ccedil;&Atilde;O DE SUSPENS&Atilde;O NACIONAL DOS PROCESSOS PELO TEMA&nbsp;<em>1.414/STJ</em>&nbsp;N&Atilde;O IMPEDE A AN&Aacute;LISE DE MEDIDAS URGENTES, SENDO, AO CONTR&Aacute;RIO, UM FATOR QUE REFOR&Ccedil;A A NECESSIDADE DA&nbsp;<em>TUTELA</em>&nbsp;PARA PROTEGER A PARTE MAIS FR&Aacute;GIL DURANTE O SOBRESTAMENTO POR PRAZO INDETERMINADO. RISCO DE IRREVERSIBILIDADE PARA A INSTITUI&Ccedil;&Atilde;O FINANCEIRA MITIGADO.</span> AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E DESPROVIDO.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5227850-**.2026.8.21.****, D&eacute;cima Primeira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Luis Antonio Behrensdorf Gomes da Silva, Julgado em: 28-07-2026)</p> <p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEG&Oacute;CIOS JUR&Iacute;DICOS BANC&Aacute;RIOS. A&Ccedil;&Atilde;O DECLARAT&Oacute;RIA C/C INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O.&nbsp;<em>TUTELA</em>&nbsp;DE URG&Ecirc;NCIA. RMC E&nbsp;<em>RCC</em>. SUSPENS&Atilde;O DOS DESCONTOS, SEM LIBERA&Ccedil;&Atilde;O DA MARGEM CONSIGN&Aacute;VEL. POSSIBILIDADE. SOBRESTAMENTO. TEMA&nbsp;<em>1.414</em>&nbsp;DO STJ. N&Atilde;O IMPEDIMENTO &Agrave; CONCESS&Atilde;O DE MEDIDAS URGENTES. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A suspens&atilde;o do processo pela afeta&ccedil;&atilde;o de recurso especial sob o rito dos repetitivos n&atilde;o impede a aprecia&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<em>tutelas</em>&nbsp;de urg&ecirc;ncia, por aplica&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica do art. 982, &sect; 2&ordm;, do CPC, e do art. 314 do mesmo diploma, que autoriza a pr&aacute;tica de atos urgentes para evitar o perecimento do direito. <span>A alega&ccedil;&atilde;o de que os descontos ocorrem sem contrata&ccedil;&atilde;o ou utiliza&ccedil;&atilde;o dos cart&otilde;es consignados evidencia poss&iacute;vel v&iacute;cio de consentimento na forma&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio jur&iacute;dico e aparente abusividade, preenchendo o requisito da probabilidade do direito. O perigo de dano est&aacute; caracterizado pela redu&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do benef&iacute;cio previdenci&aacute;rio de natureza alimentar, comprometendo a subsist&ecirc;ncia do agravante.</span> A margem consign&aacute;vel n&atilde;o deve ser liberada ao agravante, a fim de evitar a celebra&ccedil;&atilde;o de novos contratos e preservar a reversibilidade da decis&atilde;o em caso de improced&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o. Fica vedada a inscri&ccedil;&atilde;o do nome da parte autora nos cadastros negativos de d&eacute;bito ou de lev&aacute;-lo a protesto, referente aos contratos sub judice. Fixadas multas para o caso de descumprimento da medida. Artigos 536, &sect; 1&ordm; e 537, ambos do CPC. Decis&atilde;o reformada. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO EM PARTE.(Agravo de Instrumento, N&ordm; 5235123-**.2026.8.21.****, D&eacute;cima Primeira C&acirc;mara C&iacute;vel, Tribunal de Justi&ccedil;a do RS, Relator: Maria Ines Claraz de Souza Linck, Julgado em: 20-07-2026)</p> <p>Os pedidos subsidi&aacute;rios formulados pela agravante nas al&iacute;neas "f" e "g" de suas raz&otilde;es recursais defini&ccedil;&atilde;o precisa das rubricas abrangidas e par&acirc;metros da multa ficam igualmente abrangidos pelo n&atilde;o provimento do recurso, competindo ao ju&iacute;zo de origem, na fase de cumprimento, integrar o comando decis&oacute;rio quanto &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das rubricas e ao detalhamento da comina&ccedil;&atilde;o, se necess&aacute;rio.</p> <p>Fica advertida a parte agravante de que a interposi&ccedil;&atilde;o de agravo interno manifestamente inadmiss&iacute;vel ou improcedente sujeitar&aacute; o recorrente &agrave; multa de 1% a 5% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.021, &sect; 4&ordm;, do CPC.</p> <p><strong>Dispositivo</strong></p> <p>Ante o exposto, com fundamento nos arts. 300 e 932, VIII, do CPC, em decis&atilde;o monocr&aacute;tica,&nbsp;<strong>NEGO PROVIMENTO</strong>&nbsp;ao agravo de instrumento, mantendo a tutela antecipada deferida nos termos da fundamenta&ccedil;&atilde;o.</p> <p>Comunique-se ao Ju&iacute;zo de origem.</p> <p>Intime-se.</p></section> <section> </section> <section> <p>&nbsp;</p> <hr> <p>&nbsp;</p></section> <footer> </footer></article></body></html>

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